Núncio Apostólico preside a celebração no Hospital do Divino Espírito Santo e destaca fé como luz no sofrimento

Capelania do Hospital do Divino Espírito Santo organiza celebração e procissão interior no Hospital para os doentes que estão impossibilitados de participar na festa

Foto: Igreja Açores/GG

Na manhã deste domingo, o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, acolheu uma celebração eucarística presidida pelo Núncio Apostólico, D. Andrés Carrascosa Coso, num momento marcado pela proximidade da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A homilia destacou a importância da fé em contextos de dor e sofrimento, particularmente num espaço hospitalar.

O Núncio começou por manifestar a sua alegria por celebrar num hospital público, sublinhando a ligação entre Igreja e Estado: ambos, afirmou, “estão ao serviço das mesmas pessoas”. Destacou que, quando há diálogo e colaboração entre as instituições, é a população quem beneficia. “Estamos ao serviço do mesmo povo”, reforçou.

Recordando os seus 41 anos de missão pelo mundo, o prelado evocou também a sua passagem pelo Canadá, onde contactou pela primeira vez com a devoção ao Senhor Santo Cristo, em paróquias dedicadas a esta invocação e ao Divino Espírito Santo. Agora, visitando este contexto açoriano como peregrino, sublinhou a força desta fé vivida nas ilhas.

Num hospital – lugar onde se experimentam a fragilidade, a dor e a incerteza -, o Núncio destacou a centralidade da imagem de Cristo sofredor: “Eis o homem”. Explicou que esta expressão representa a humanidade ferida, que enfrenta dificuldades, crises e limitações.

“A fé em Deus não elimina a dor nem a doença, mas ilumina-as”, afirmou.

Segundo o prelado, a fé cristã convida a olhar para um Deus que se fez próximo da condição humana, assumindo a dor, a finitude e o sofrimento.

“Pedimos saúde e longevidade, mas não permaneceremos aqui para sempre”, lembrou, acrescentando que, embora Jesus tenha curado muitos, não curou todos ,  sinal de que o mistério da dor permanece, mas ganha sentido à luz do amor de Deus.

A festa do Senhor Santo Cristo, disse ainda, proporciona um encontro pessoal com um Deus que se entrega por cada pessoa, oferecendo uma nova forma de viver, tanto na alegria como na adversidade.

Na parte final da homilia, o Núncio abordou a solidão no sofrimento como uma das experiências mais difíceis. Nesse contexto, destacou que o maior “milagre” é sentir que Cristo conhece a dor humana e a partilha, manifestando compaixão, mesmo quando o sofrimento não desaparece.

“O sim de Deus é amor, e o não de Deus também é amor”, afirmou, convidando os fiéis a confiarem na vontade divina. Terminou com um apelo: que cada um se coloque nas mãos do Senhor Santo Cristo e peça não apenas o que deseja, mas aquilo de que verdadeiramente necessita.

“Não estamos sozinhos. Deus está connosco”, concluiu

Esta celebração é particularmente simbólica e em regra é presidida pelo bispo de Angra também como expressão  do cuidado da fragilidade. A celebração é organizada e dinamizada pela Capelania do Hospital, contando com a colaboração de inúmeros voluntários. Além da missa  há também  uma pequena procissão interna que leva a Imagem do senhor santo Cristo a alguns espaços do Hospital, nomeadamente enfermarias.

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