Bispo de Angra destaca singularidade das Festas do Senhor Santo Cristo: “Não conheço fenómeno igual no mundo”

Bispo de Angra participa nestas festas pelo quarto ano consecutivo

Foto: Igreja Açores/CR

D. Armando Esteves Domingues, afirmou que as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres continuam a surpreendê-lo a cada ano, sublinhando a dimensão única da manifestação de fé que reúne milhares de peregrinos em São Miguel. Em entrevista, o prelado destacou o caráter renovador da experiência, o envolvimento do povo e o desafio espiritual lançado aos fiéis.

Pela quarta vez presente nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, D. Armando Esteves Domingues garante que cada edição é vivida como se fosse a primeira.

“Coloco-me como se não soubesse nada”, afirmou, explicando que essa atitude permite experimentar a peregrinação com a mesma intensidade de quem ali chega em busca de encontro com Cristo.

O bispo descreve-se também como peregrino entre o povo, partilhando momentos de oração, caminhada e comunhão, sobretudo junto dos mais frágeis. Recordou, por exemplo, a celebração na igreja de São José, marcada pela presença de idosos e doentes, e antecipou visitas ao hospital e à Casa de Saúde.

“Cristo coloca-se ao meu lado, olha-me, faz-me companhia, sofre e alegra-se comigo”, disse, sublinhando a dimensão profundamente humana e espiritual da vivência.

A forte adesão popular continua a impressionar o prelado. Desde a iluminação das luzes, na sexta-feira, às promessas e à grande procissão de domingo, D. Armando destaca o envolvimento de pessoas de todas as idades, muitas vindas de outras ilhas e até do estrangeiro. “Não conheço no mundo algo que se repita como aqui”, afirmou, considerando este fenómeno religioso como único e irrepetível.

Para o bispo, a chave está no contexto humano e espiritual que envolve a devoção: famílias que se organizam para participar, idosos trazidos pelos filhos, peregrinos movidos por promessas ou pela necessidade de sentido. “O que procura esta gente?” — questiona, reconhecendo que a resposta só pode ser encontrada na experiência vivida.

O tema deste ano –  “O que dizes de ti mesmo?” – foi também destacado como um desafio profundo dirigido a todos os batizados. Segundo D. Armando Esteves Doimingues, trata-se de uma provocação à identidade cristã, que convida cada pessoa a refletir sobre a presença de Deus na sua vida e no mundo atual.

“Como é que tu amas? Como constróis a paz? Como és autêntico?”, questionou, apelando a uma fé vivida com coerência e verdade.

O bispo não deixou de reconhecer que este desafio se aplica também a si próprio, enquanto pastor da Igreja. “O que é que eu digo desta Igreja? Como testemunho Deus na minha vida?”, interrogou-se, defendendo uma vivência menos centrada em discursos e mais na autenticidade do testemunho.

Durante a entrevista, D. Armando abordou ainda o processo de beatificação da Madre Teresa da Anunciada, figura central na história do culto ao Senhor Santo Cristo. O processo, segundo explicou, foi retomado com novo impulso, incluindo um aprofundado estudo histórico e teológico.

“Queremos perceber se há aqui uma mensagem grande e sinais de santidade”, afirmou.

O bispo de Angra destacou, ainda,  o papel do povo como guardião dessa memória e sublinhou que o objetivo não é desviar a atenção de Cristo, mas compreender melhor o testemunho de vida da religiosa. Caso se confirmem sinais consistentes de santidade e eventuais milagres atribuídos à sua intercessão, o processo poderá avançar para novas fases.

No final, D. Armando Esteves Domingues reforçou a centralidade de Cristo nas festas e na vida dos fiéis.

“É Ele que nos salva”, concluiu, convidando todos a viverem esta experiência não apenas como tradição, mas como encontro transformador.

A entrevista pode ser ouvida no programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo depois do meio-dia.

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