A música foi sempre uma ponte para chegar ao coração das pessoas- Ir. Maria Amélia Costa

Religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas hospitaleiras da Imaculada Conceição vai ser homenageada pela Região e destaca missão vivida entre a fé, a música e a hospitalidade franciscana

Foto: Agência Ecclesia/HM

A Irmã Maria Amélia Costa, religiosa da Congregação das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, vai ser homenageada pela Região Autónoma dos Açores na próxima segunda-feira, numa distinção que reconhece um percurso de décadas ao serviço da Igreja, da cultura e da promoção humana nos Açores.

Convidada do programa Igreja Açores, a religiosa recorda os momentos mais marcantes de uma vida dedicada à missão- 56 anos- , numa conversa profundamente marcada pelo testemunho do carisma franciscano hospitaleiro, no ano em que se assinala oito séculos da morte de São Francisco de Assis,  e pelo papel que a música assumiu ao longo do seu caminho.

“A música foi sempre uma ponte para chegar ao coração das pessoas”, afirmou, ao recordar o trabalho desenvolvido através do movimento Oásis, com origem em Itália e que chegou a Portugal , ajudando a marcar gerações de jovens portugueses, incluindo dos Açores.

A este movimento, cujo carisma se cruza com o da fundadora da sua congregação –  a beata Maria Clara do Menino Jesus- , a irmã Maria Amélia acrescentou a música através do projeto Mendigo de Deus um concerto orante que tem percorrido o país.

“Muitas vezes, uma canção consegue abrir caminhos que as palavras sozinhas não conseguem”, sublinhou.

Ao longo da entrevista, a Irmã Maria Amélia falou de uma vocação construída no encontro com os outros e numa espiritualidade assente na simplicidade, no acolhimento e na proximidade.

“Ser hospitaleira é aprender a olhar cada pessoa com dignidade, sobretudo quem sofre, quem está sozinho ou perdeu a esperança”, referiu.

A religiosa destacou também os desafios que hoje se colocam à Igreja, defendendo uma presença mais próxima das pessoas e mais atenta às novas realidades sociais e humanas.

“A Igreja tem de continuar a sair ao encontro, sem medo, escutando mais e julgando menos”, afirmou, reconhecendo que os tempos atuais exigem novas linguagens e novas formas de presença.

“Os jovens procuram autenticidade. Procuram alguém que caminhe com eles, que saiba ouvir e compreender as suas inquietações”, acrescentou, defendendo que a missão da Igreja passa, hoje, por criar espaços de pertença, diálogo e esperança.

Ao falar sobre a homenagem atribuída pela Região, a Irmã Maria Amélia recebeu a distinção com humildade, considerando que o reconhecimento “pertence a muitas pessoas” com quem partilhou a missão ao longo dos anos.

“Nunca fiz caminho sozinha. Tudo o que vivi foi em comunidade e em serviço”, disse.

A Congregação das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, com forte presença histórica nos Açores- chegou a estar em sete das nove ilhas do arquipélago-, tem desenvolvido trabalho nas áreas da educação, saúde, ação social e pastoral, sendo uma das instituições religiosas mais influentes no arquipélago.

A entrevista no programa traça, assim, o retrato de uma mulher consagrada que encontrou na música, na hospitalidade e na fé um modo de transformar vidas, deixando uma marca profunda na Igreja açoriana e na sociedade.

A entrevista pode ser ouvida na íntegra no programa de rádio Igreja Açores que vai para o ar no domingo de Pentecostes, depois do meio-dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra e fica disponivel em podcast aqui no sítio Igreja Açores.

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