Por Renato Moura

Tomou posse D. João Lavrador, o nosso Bispo coadjutor. Todas as declarações que fez, a propósito, marcam um estilo e são de uma densidade relevante, cuja apreciação e avaliação de consequências práticas só se poderão fazer parcial e faseadamente, mas que todavia se adivinham positivas.

D.João realça não ter pressa em tomar decisões, o que por si só revela respeito por D. António, que este pela sua bondade e mérito bem merece. A serenidade revelada na entrada cria a justa expectativa de uma transição sem choque, que não porá em causa a acção meritória em curso, mas não impedirá as mudanças ponderadas que a análise e o tempo aconselharem.

D.João sente haver “franjas da humanidade que estão afastadas, colocadas nas periferias económica, social, cultural e religiosa”, afirma querer “contribuir para a edificação de uma cultura digna do ser humano” e estar ao lado de todos os que defendem “uma nova civilização que tenha a pessoa humana no centro, que atenda e dignifique a vida e a dignidade humana em todas as circunstâncias”. Dirigindo-se aos poderes públicos, afirmou que “no respeito pela legítima autonomia da missão de cada uma das instituições, o serviço à pessoa e o bem comum da sociedade exigem que colaboremos na edificação da justiça, da paz, do bem, da solidariedade e da promoção integral da pessoa humana”. Por sua vez o Presidente do Governo reconheceu contar “com mais um aliado e um parceiro” para “chegar onde os poderes públicos não podem nem conseguem”.

Nos Açores estas missões são geralmente realizadas pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), que predominantemente foram criadas e são tuteladas pela Igreja Católica. Mas elas não têm meios para atender a todos os que precisam e para chegar a tudo e aonde faz falta.

As IPSS trabalham com o dinheiro dos acordos de cooperação; mas o Governo os define! Mas é bom não esquecer que os deveres de solidariedade social primordialmente cabem aos poderes públicos e que as IPSS são apenas parceiras na concretização. O facto de se realizarem acordos não transforma o Governo em patrão das IPSS e jamais lhe dá o direito de, com ar de prepotência ou arrogância, lhes impor ordens e prazos impreteríveis, sob ameaça do fim dos acordos. Os dirigentes das IPSS são geralmente pessoas que trabalham de forma gratuita e sacrificada, que no mínimo devem merecer respeito.

Citando o florentino P.e José Alcino, deixo para reflexão “O que aconteceria em Portugal se apenas por três dias fizessem greve todas as IPSS da Igreja?!”