Mensagem para o Dia Mundial da Paz refere que só um rumo “verdadeiramente humano”, que preze a dignidade do homem, pode levar à construção da paz entre os povos de todo o mundo

A construção da paz é “uma tarefa continua e exigente” que depende da vontade dos homens e da sua capacidade para promoverem a “amizade social” refere o bispo de Angra na mensagem enviada a todos os diocesanos por ocasião do Dia Mundial da Paz, que se celebra no primeiro dia do ano.

“A construção da paz depende de variados fatores e está associada à promoção do amor, da partilha, da misericórdia e da ternura, da prioridade dada ao outro, atendendo à justiça, ao bem comum, mas sobretudo à preferência pelos mais pobres e excluídos” afirma D. João Lavrador.

“Enquanto houver injustiças, fome e escravidão, pobreza e egoísmos, falta de condições de trabalho digno e de habitação, de acesso à educação, domínio despótico de uns contra os outros, a exploração abusiva da natureza, estará em causa a verdadeira paz” esclarece o prelado.

Na mensagem inspirada em Isaías 52,7- «Que formosos são (…) os pés do mensageiro que anuncia a paz»- o bispo de Angra refere o contexto de epidemia, que grassa em todo o mundo,  para lembrar que há obstáculos à construção da paz verdadeira que tanto podem ser uma doença como o próprio desenvolvimento desigual nas diferentes regiões do mundo.

“No contexto do progresso atual, a negligência de um desenvolvimento humano integral torna-se, sem dúvida, o maior dos obstáculos para edificação da paz”, refere.

“Acresce, ainda, que estamos a iniciar o novo ano sob o flagelo da pandemia do Covid/19. Qualquer flagelo pelas consequências que transporta é de si uma ameaça à paz pessoal e comunitária, mas é também uma oportunidade para um novo começo que será mais humano e promotor da paz se assentar na fraternidade entre as pessoas e entre os povos, se não houver a tentação de alguns grupos se quererem impor a apropriar dos bens que são destinados a todos”, acrescenta.

“A exigência prioritária está na promoção de uma sociedade de amizade na qual todos se sintam irmãos uns dos outros” esclarece baseando parte da sua mensagem na nova encíclica papal Fratelli Tutti.

“Só deste modo, cada pessoa, cada família, cada país e os seus governantes, os diversos líderes mundiais poderão edificar uma sociedade onde reine a justiça, a autêntica fraternidade, a igualdade de todos, a partilha de recursos e a eliminação da pobreza e da exclusão” afirma ao lembrar que a paz “é um dom e uma tarefa” de todos.

“É um dos maiores anseios de cada pessoa, de cada família, de cada país e mesmo uma das aspirações do mundo em geral, porque, também é verdade, que a par com o progresso cientifico e técnico, contando com a possibilidade de maior proximidade e diálogo entre culturas, com as possibilidades de contacto que a globalização nos possibilita, animados pelas novas redes de comunicação e informação, a paz parece estar ainda muito longe de se alcançar” afirma.

O prelado pede, por fim, a todas as comunidades cristãs que “saibam discernir os Sinais dos Tempos para profeticamente responderem a uma sociedade pandémica, “estimando o valor e a dignidade de cada pessoa”, agindo “conjunta e solidariamente em prol do bem comum” e aliviando, “quantos padecem por causa da pobreza, da doença, da escravidão, da discriminação e dos conflitos”, o que numa palavra D. João Lavrador, citando o Papa Francisco, apelida de “cultura do cuidado”.

A  Mensagem termina com votos de “feliz e próspero ano novo exortando a uma esperança sempre renovada”.