Pelo Pe José Júlio Rocha.

«Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano.» (Oseias 14, 6)
O tempo é de incerteza, ansiedade, alguma angústia, medo. Para nós, que ficamos em casa, longe das rotinas habituais, estranhos a este ritmo tão diferente que pode perturbar o espírito e até o corpo, aprendamos a cultivar a paz. Este é um enorme desafio. Ver sempre as mesmas pessoas, olhar para o mundo pela janela e ver o sol, a primavera, o verde ou o mar, sem os poder gozar como antes, sem saber para quando o regresso à normalidade, vai custar.
A casa pode até parecer uma espécie de cárcere, voluntário ou não. Mas o cárcere ou a liberdade estão dentro de nós. O tamanho de uma cela pode ser de dois metros quadrados ou pode ter o tamanho do mundo: somos nós que a construímos. A verdadeira liberdade está dentro de nós. E, hoje, a liberdade tem um nome: Paz. Contruir e dar a paz, a harmonia.
É bom rezar a oração de São Francisco:
“Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor.
Onde há ofensa, que eu leve o perdão.
Onde há discórdia, que eu leve a união.
Onde há dúvida, que eu leve a fé.
Onde há erro, que eu leve a verdade.
Onde há desespero, que eu leve a esperança.
Onde há tristeza, que eu leve a alegria.
Onde há trevas, que eu leve a luz.”
Este desafio é para hoje: a começar em casa. A acabar em casa. Vamos sair desta prova, acredito, pessoas bem melhores.
Fonte do Bastardo da Serra, Porto Martins do Mar, irmãs inseparáveis na festa, na alegria, no convívio. Agora também na solidão e na esperança: “Deixo-vos a Paz”.