Responsáveis pedem que Bruxelas deixe de ser apontada como «bode expiatório» dos problemas locais.

O presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) manifestou hoje a sua apreensão perante o aumento da votação em partidos nacionalistas e eurocéticos nas recentes eleições para o Parlamento Europeu.

“Uma matéria que gera preocupação é o aumento significativo do apoio aos partidos que rejeitam o projeto de integração europeia: parte deles conseguiu assegurar uma maioria dos votos nalguns Estados-membros, incluindo a França, Dinamarca e Reino Unido”, refere o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

O responsável realça que alguns desses partidos têm uma visão “não só populista mas também nacionalista e xenófoba”, posições que são “inaceitáveis” para os cristãos e ameaçam a “coexistência pacífica” no Velho Continente.

Segundo o cardeal alemão, é “demasiado cedo” para determinar quais as razões que levaram à ascensão destes partidos, mas pede que no futuro se debatam com maior transparência os “assuntos europeus que dizem respeito a todos os cidadãos”.

“Isto aplica-se aos políticos eleitos e à cobertura mediática da Europa e da política comunitária: pode já não ser suficiente fazer de ‘Bruxelas’ um bode expiatório para os próprios problemas políticos”, escreve o presidente da COMECE.

D. Reinhard Marx sublinha, no entanto, que a maioria dos votantes optou por escolher candidatos “pró-Europa”, o que vai permitir ao Parlamento prosseguir um “trabalho pelo bem comum de todos os europeus”.

“A Europa continua a ser, apesar das críticas e de algumas dificuldades específicas, um projeto de paz e reconciliação, o que é acompanhado e apoiado de forma positiva pela Igreja Católica”, acrescenta.

A COMECE assinala, a este respeito, que o anúncio dos resultados não é o fim, mas o “começo de um processo de renovação”, nas instituições da União Europeia, incluindo a nomeação de um novo presidente da Comissão e a eleição, dentro de meses, do presidente do Conselho.

“Espero que os partidos políticos e os Estados-membros cheguem a acordo para estas nomeações sem demora”, escreve o cardeal Marx.

A COMECE, conclui, vai “acompanhar de forma construtiva” o trabalho dos novos  eurodeputados, com base na Doutrina Social da Igreja