450 anos do alvará para a sua edificação; 400 anos da sua construção e as bodas de prata do seu órgão de tubos

A Igreja do Santíssimo Salvador da Sé, também referida apenas como Sé de Angra do Heroísmo, localiza-se no coração histórico da cidade Património Mundial da Unesco, na ilha Terceira, nos Açores, assinala este ano três datas jubilares: os 450 anos do alvará da coroa portuguesa (10 de janeiro) para a sua edificação; 400 anos da sua construção e 25 anos do órgão de tubos.

A igreja da Sé é a sede do Bispado de Angra, que engloba o arquipélago dos Açores e por isso o símbolo da unidade diocesana por excelência.

De acordo com a enciclopédia açoriana, esta igreja remonta a uma primitiva igreja paroquial construída ao longo de vários anos entre 1461 e 1496, data em que foi nomeado um primeiro vigário paroquial.

Com a criação da diocese, sentiu-se necessidade de construir um novo espaço que permitisse a participação nas celebrações litúrgicas de um maior número de pessoas. A carta das autoridades locais chegou à corte portuguesa, liderada por D. João III mas só em 1568 a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas. Para esse fim foram destinados 3 mil cruzados anuais dos direitos régios sobre o pastel na ilha de São Miguel, enquanto durassem as obras.

O arquiteto Luís Gonçalves, que elaborou o projeto inicial concebeu um  templo maneirista ou de arquitetura chã portuguesa, que seria depois sucessivamente adaptado por outros profissionais, nomeadamente João de Carvalho.

A pedra fundamental foi lançada em 18 de novembro de 1570, em cerimónia solene, tendo os seus trabalhos se estendido por meio século, com, pelo menos um período de interrupção nos finais do século XVI, durante a Crise de sucessão de 1580.

O edifício começou a construir-se pela fachada principal, para que a antiga Igreja de São Salvador pudesse continuar a servir ao culto. Foram construídas quatro capelas, com recursos de particulares e das irmandades, e as sacristias. No início do século XVII foi construído um claustro, conhecido pelo sítio, que serviu no século XIX de cemitério e desapareceu na década de 1950 para dar lugar ao arranjo que atualmente existe na frente para a rua da Rosa. No século XVIII, também nas traseiras, adicionou-se-lhe a Sacristia Grande e a Sala do Tribunal Eclesiástico. A Igreja foi consagrada em 1808.

O terramoto de 1980 causou extensos danos ao edifício. Com os trabalhos de restauração a decorrer, a 5 de julho de 1983, registou-se a derrocada de uma das torres e em 25 de setembro daquele ano, um grande incêndio que destruiu por completo as talhas douradas dos altares, os órgãos de tubos e o teto em caixotões.

Nessas catástrofes perdeu-se um enorme espólio artístico, principalmente de decoração barroca, mas foi possível reedificar o templo que manteve a sua imponência e continua a ser o centro religioso dos Açores e um importante centro cívico da cidade, onde decorrem os mais proeminentes acontecimentos. Em torno da construção existiu sempre um amplo adro. Esse adro, com escadaria para a rua da Sé, foi melhorado em 1845 na frente para a rua do Salinas. Esse adro alberga em nossos dias uma estátua do Papa João II que assinala a visita do único papa moderno nos Açores, a 11 de maio de 1991.

A igreja da Sé integra a Rota das Catedrais e está classificada como Monumento Regional.

Para estes aniversários que se comemoram este ano está programa a exposição “A Sé”, que está a ser organizada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, bem como a conferência “São Salvador de Angra – uma catedral sebástica”, por Mateus da Rocha Laranjeira, mestre em história da arte, e um recital de órgão, por Olga Lysa. O evento decorre pelas 20h00, na catedral, no próximo dia 10 de janeiro.

A entrada é livre.