Celebração nos Estados Unidos da América “é muito forte” e “tem futuro” – Miguel Ávila

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Miguel Ávila, português residente na paróquia das Cinco Chagas, em São José, na Califórnia, Estados Unidos da América, afirma que a celebração do Divino Espírito Santo “tem futuro” e a sua difusão “continua a ser muito forte”.

“As pessoas têm fé e muita emoção e isso percebe-se em todas as idades. Quando se vê uma pessoa a ser coroada, ou a levar um estandarte no desfile, há muita emoção envolvida. Há também muitas famílias que organizam festas familiares do Espírito Santo”, conta o editor do jornal Tribuna portuguesa, natural da ilha Terceira, nos Açores.

No entanto o responsável nota a importância de as celebrações serem “em inglês ou bilingues” de forma a envolver as gerações mais novas.

“Antigamente, normalmente os emigrantes chegavam e dedicavam a sua vida à comunidade, às associações comunitárias; hoje os mais jovens têm as suas vidas, estão a iniciar as suas carreiras ou estão na faculdade e é difícil envolverem o tempo. Já não têm a disponibilidade que os seus avós, e já não digo os pais, tinham”, nota.

Miguel Ávila destaca que a comunidade das Cinco Chagas, fundada pelo monsenhor Henrique Augusto de Ribeiro, padre açoriano, em 1914, era essencialmente composta por emigrantes portugueses, “e descendentes da Califórnia, com origem açoriana”, mas que a Grande Depressão de 1929 fez diminuir a emigração “e a língua portuguesa começou a morrer”.

“Havia um estigma de ser emigrante. E o que se vê nas gerações mais novas é essa integração com a sociedade americana. Publicámos há uns anos um livro sobre as festas de Espírito Santo na Califórnia e o livro é todo em inglês. Porque chegámos à conclusão que estávamos a fazer aquele livro para os nossos filhos e netos, que praticamente só falam inglês”, regista.

Natural da ilha Terceira, nos Açores, Miguel Ávila emigrou aos 15 anos com a sua família e fixou-se na comunidade portuguesa, na paróquia das Cinco Chagas, em São José, na Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Se a inculturação é necessária, a devoção e a festa não está em risco , recordando que todas as semanas há festas do Espírito santo e reportagens sobre as mesmas, em celebrações que acontecem em cerca de 130 cidades e vilas.

“Antigamente, era um jornal que trazia as notícias de Portugal para as comunidades; há uns anos, há mais de 20 anos, que a nossa missão é transmitir o que se passa nas comunidades para fora”, conta.

Os desfiles, que reúnem participantes e espetadores, as irmandades que desfilam com os estandartes, as bandas filarmónicas, os almoços confecionados para cinco mil pessoas, para além das festas familiares em torno do Espírito Santo, notam que a devoção não esmorece.

Miguel Ávila regista que no século XX chegou a haver mais de 160 irmandades dedicadas ao Espírito Santo; o número atual ronda as 90, fazendo notar a existência de um património que importa preservar e mostrar, até como espólio museológico.

Encontros que possam continuar a refletir sobre as celebrações e devoções em torno do Espírito são de impulsionar, mas o responsável pede que se evite criar “nicho” e que a reflexão académica possa ser acompanhada pela “experiência comunitária da celebração”.

“Os encontros associados a uma festa do Espírito Santo são importantes, focam os acontecimentos, os conhecimentos, a evolução das festas no mundo inteiro, mas é importante assistirmos às festas do Espírito Santo local. Há uns anos, em São José, organizou-se um colóquio e logo no dia a seguir participámos no desfile, fomos à missa e depois fomos ao almoço do bodo. O envolvimento da comunidade é importante para esses encontros. E é isso que permite, de alguma forma, envolver também novas gerações”, reconhece.

A conversa com Miguel Ávila esteve no centro do programa ECCLESIA, com emissão sábado, pelas 06h00, na Antena 1, dedicado à celebração das Festas do Divino Espírito Santo.

(Com Ecclesia)

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