
O Papa denunciou esta sexta-feira, no Vaticano, o “eclipse” do sentido humano provocado pelo avanço da inteligência artificial (IA) generativa, antecipando a publicação da sua primeira encíclica, sobre este tema.
“Como foi tristemente evidenciado pela promoção e implementação desenfreadas da tecnologia, em detrimento da dignidade humana, e pelos danos causados quando os chatbots e outras tecnologias exploram a nossa necessidade de relacionamentos humanos, experimentamos verdadeiramente um eclipse do sentido do que significa ser humano”, advertiu, falando a académicos e especialistas que participaram num congresso internacional promovido pela Santa Sé.
Leão XIV associou esta reflexão ao lançamento da encíclica ‘Magnifica humanitas’, agendada para a próxima segunda-feira, sustentando que o desafio atual no ambiente digital ultrapassa a dimensão tecnológica.
“É ainda mais imperativo recuperar uma compreensão do verdadeiro significado e grandeza da humanidade, como Deus a concebeu. Neste sentido, o desafio que enfrentamos atualmente não é tecnológico, mas antropológico, e a minha esperança é que a carta encíclica que será publicada daqui a poucos dias contribua para responder a este desafio” afirmou.
O pontífice assumiu que a Igreja se sente “impelida a contribuir para o esforço de planificação e implementação dos meios de comunicação, da informação e da educação para a IA nos sistemas de ensino”.
“Tenho a certeza de que todos nós estamos particularmente preocupados com as possíveis consequências do uso da tecnologia digital e da IA, não só no desenvolvimento físico e intelectual das crianças e dos jovens, mas também no seu bem-estar espiritual”, assinalou Leão XIV.
A conferência internacional foi organizada pelo Dicastério para a Comunicação e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, no âmbito do 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebrou no último domingo.