Durante três dias dirigentes nacionais, diocesanos e de ilha participaram no 18º Cursilho de Cursilhos

O 18º Cursilho de Cursilhos, que se realizou pela primeira vez em Ponta Delgada, terminou este domingo sob o signo da “unidade” e de “um caminho conjunto” que as diferentes ilhas têm de percorrer.

Este foi o desejo expresso pelas duas principais dirigentes açorianas- Benvinda Borges (responsável diocesana) e Micá Matos (sub secretariado de São Miguel)- que no final da sessão plenária que encerrou o Cursilho antes da Eucaristia, em declarações ao Sítio Igreja Açores, reafirmaram o sentido de unidade.

“Este Cursilho contribuiu para uma aproximação entre as duas ilhas, o que há muito este secretariado diocesano esperava, porque permitiu que nos conhecêssemos e estabelecêssemos laços de amizade que é no essencial a base do nosso movimento”, disse Benvinda Borges.

“Deus coloca sempre tudo no sítio certo e a vivência deste fim de semana foi uma graça nesse sentido porque permitiu que nos conhecêssemos e a partir de agora vamos falar e caminhar lado a lado, contando com a experiência de todos e com a força dos mais novos para podermos servir melhor Jesus através deste movimento”, disse Micá Matos.

O Cursilho dos Cursilhos é dirigido aos dirigentes e durante este fim de semana 50 pessoas participaram no primeiro que se realizou em São Miguel e que trouxe até aos Açores três elementos do secretariado nacional do MCC, Saul Quintas, Fernando Raimundo e o Pe João Dias.

“Tenho a convicção de que no MCC estamos sempre unidos; se calhar o que não havia aqui era um conhecimento tão profundo e certamente que este Cursilho de Cursilhos que tem, justamente, este objetivo de despertar em todos um regresso ao carisma fundacional, assente no amor a Cristo e portanto no amor ao irmão, isso foi mais facilmente conseguido”,  disse ao Sítio Igreja Açores o responsável pelo secretariado nacional, Saúl Quintas.

“Espero agora que, depois das inquietações levantadas pelas pessoas, percebendo-se o que estava a ser feito de forma menos correta, o subsecretariado de São Miguel, juntamente com o secretariado diocesano em Angra façam o que tem de ser feito, cientes de que o trabalho é grande e continuo”, acrescentou o dirigente.

Saúl Quintas lembrou a importância deste movimento na Evangelização, invocando o exemplo da diocese alentejana de Évora, de onde é natural.

“No Alentejo, havia poucos homens ligados à igreja e através do MCC, de uma descoberta do amor de Cristo a partir do zero regressaram à Igreja porque descobriram o verdadeiro amor de Cristo e quando isso acontece ficamos enamorados e a nossa vontade de estar e de servir é enorme”, concluiu.

O MCC está particularmente ativo em três ilhas da diocese de Angra- Terceira, São Miguel e Santa Maria- mas já se realizaram Cursilhos nas ilhas Graciosa, São Jorge , Faial e Pico.

“Este é um desafio para o MCC porque não é só fazermos o Cursilho, o pós cursilho, a escola, as reuniões de grupo e as ultreias são muito importantes e há que manter a chama viva, o que nem sempre é fácil”, reconhece Benvinda Borges que no entanto sublinha que elege esta dinâmica “como a principal responsabilidade do secretariado diocesano”.

“Temos um enorme caminho a trilhar em conjunto. A essência do movimento é Cristo mas as pessoas contam e para que tudo funcione temos de alimentar a amizade”, conclui a dirigente.

Ideia partilhada também pelo assistente diocesano do MCC, Pe Júlio Rocha.

“A amizade é mais forte que o mar que nos separa” disse o sacerdote sublinhando a importância e o papel deste movimento na igreja.

“Temos essa preciosidade que é a amizade, a base, e a partir daí temos de ser capazes de renovar nunca esquecendo o essencial do nosso fundador”.

Também o assistente do subsecretariado de São Miguel, Pe Norberto Brum deixou um apelo “à mudança de mentalidade e de coração” para que o movimento se renove.

O sacerdote deixou um apelo aos cursilhistas para serem mais exigentes com os padres das suas paróquias.

“Exijam dos vossos padres, mas façam-no com amor pois ninguém se transforma se não se sentir amado. Só quem se sente amado pode converter-se”, concluiu.

O Pe Hélio Soares, um dos assistentes deste Cursilho de Cursilhos acrescentou que “para além da amizade é preciso remar para que não fiquemos na praia”. Elegendo o próximo ano pastoral como “um grande desafio”, o sacerdote, pároco nas Capelas insistiu na necessidade de exigência e apelou ao trabalho de todos.

O Pe João Dias que, presidiu à concelebração eucarística que encerrou este 18º Cursilho dos Cursilhos e faz parte da equipa nacional deixou, no final, um apelo à união do MCC na diocese de Angra ciente de que “não vamos mudar o mundo mas podemos começar a mudá-lo”.

Neste Cursilho de Cursilhos participou também o único açoriano que integra o Comité Executivo do Organismo Internacional do MCC, Fausto Dâmaso.

Em 2017, o Comité Executivo do Organismo Mundial do MCC, com sede em Portugal desde janeiro de 2014, vai organizar uma Ultreia mundial em Fátima, “para os líderes do movimento”, que vai celebrar o centenário das Aparições de Nossa Senhora e o nascimento do fundador dos Cursilhos de Cristandade, Eduardo Bonnín.

O Movimento dos Cursilhos de Cristandade chegou a Portugal em 1960 e o primeiro cursilho realizou-se em Fátima, de 29 de novembro a 02 de dezembro desse ano.

O movimento dos Cursilhos de Cristandade está presente em todos os países da América Latina e do Norte, tem uma presença “muito forte” no continente asiático e região do Pacífico e “em quase todos países da Europa” para além de estar em muitos países de África.