D. Virgílio Antunes é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

Foto: Ecclesia

D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sucedendo no cargo a D. José Ornelas, anunciou hoje a instituição.

A eleição para o triénio 2026-2029 decorreu na 214ª Assembleia Plenária, que se iniciou esta segunda-feira, em Fátima, onde também foi escolhido D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, como vice-presidente.

D. Armando Esteves Domingues é o primeiro bispo de Angra a ser eleito para o Secretariado Permanente, que integra ainda o arcebispo de Braga, como Vice-presidente e o pPatriarca de Lisboa como vogal.

O bispo de Angra já tinha liderado a Comissão Episcopal da Nova Evangelização e nesta Assembleia Plenária que elegeu os novos organismos da CEP para o próximo triénio assume agora um lugar no Secretariado Permanente.

O novo presidente da CEP, D. Virgílio Antunes, com 64 anos de idade, foi vice-presidente  nos dois últimos mandatos; foi ainda um dos representantes do episcopado português na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em 2023 e 2024, no Vaticano.

“É uma missão, é um cargo que se assume dentro da Igreja, dando continuidade àquilo que é a nossa vida de serviço à Igreja, em muitos e diferentes lugares, em muitas e diferentes circunstâncias, mas é sempre o mesmo espírito”, indicou, nas suas declarações iniciais, enviadas esta tarde aos jornalistas.

O novo presidente da CEP assumiu a intenção de dar continuidade ao trabalho dos últimos anos, que considerou “muito meritório”, aludindo a áreas como “evangelização” ou “os abusos sexuais na Igreja e a proteção de menores”.

“Na Igreja não há dossiês fechados, nem que se possam fechar, e alguns deles têm a premência da continuidade, do aprofundamento”, acrescentou.

O bispo de Coimbra assumiu a necessidade de estar atentos às “questões fraturantes” na sociedade e às consequências da guerra.

“Não pode haver uma Conferência Episcopal, em Portugal ou no mundo, que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade”, indicou.

O responsável católico elogiou a liderança de Leão XIV e a sua “voz carregada da energia que vem do Evangelho e não é outro objetivo nem é outra agenda, senão procurar que o Evangelho esteja presente e que seja o Evangelho”.

A nível interno, o presidente da CEP assinalou a chegada de novos bispos, com uma “nova energia”.

“Gostaria de deixar uma palavra de saudação aos meus irmãos e irmãs católicos, de uma forma muito geral a toda a sociedade portuguesa, dizendo que a Conferência Episcopal vai continuar determinada a levar por diante os seus objetivos, de uma forma atenta, de uma forma livre e, naturalmente, aberta à colaboração de todos”, apontou.

O bispo de Coimbra deixou também uma palavra ao trabalho da comunicação social, com “tanta relevância” nas sociedades modernas, e convidou as comunidades católicas a “levar por diante este projeto da Igreja”, de uma forma “muito dinâmica, muito ativa e muito confiante”.

D. Virgílio Antunes foi ordenado bispo no dia a 3 de julho de 2011, em Fátima, após ter sido nomeado como responsável pela Diocese de Coimbra, a 28 de abril desse mesmo ano, por Bento XVI.

O antigo reitor do Santuário de Fátima tem um trajeto académico marcado pela especialização em Exegese Bíblica pelo Instituto Bíblico Pontifício, em Roma (1992-1996), com passagem pela ‘École Biblique’ de Jerusalém.

Ao nível da formação de novos sacerdotes, D. Virgílio Antunes desempenhou o cargo de reitor do Seminário Diocesano de Leiria entre 1996 e 2005.

Natural da aldeia da Pia do Urso, freguesia de São Mamede (Batalha), o novo presidente da CEP nasceu a 22 de setembro de 1961 e foi ordenado padre no dia 29 de setembro de 1985.

D. José Cordeiro, eleito vice-presidente, é arcebispo de Braga desde dezembro de 2021 e presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade; foi bispo de Bragança-Miranda entre 2011 e 2021, depois de ter sido reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, entre 2005 e 2011.

Os mandatos de presidente e vice-presidente da CEP não podem ser exercidos consecutivamente além de dois triénios, de acordo com os estatutos do organismo.

A Conferência Episcopal Portuguesa, formalmente reconhecida a seguir ao Concílio Vaticano II, em 1967, é o conjunto dos bispos das dioceses portugueses que, no exercício de funções, partilham preocupações e experiências, acertando critérios de ação.

O presidente, vice-presidente e secretário somam-se a quatro bispos eleitos pela Assembleia Plenária para constituir o Conselho Permanente, órgão delegado da Assembleia que se reúne ordinariamente todos os meses.

Para o mandato de 2026-2029, são vogais do Conselho Permanente o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, por inerência do cargo; D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real; D. António Moiteiro, bispo de Aveiro; D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra; e D. José Traquina, bispo de Santarém.

A CEP tem ainda como órgãos as Comissões Episcopais para sectores específicos da atividade pastoral; o Secretariado-Geral, com funções práticas de expediente, administração e coordenação pastoral; e Secretariados Nacionais, de índole técnica e executiva.

Em novembro de 2025, a Assembleia Plenária aprovou a reorganização das comissões episcopais, que se traduz na autonomização da Pastoral Social em relação à Mobilidade Humana e das Comunicações Sociais relativamente à Cultura e Bens Culturais.

Desde o triénio 2011/2014, a dinamização dos diferentes setores da pastoral da Igreja Católica estava agrupada em sete comissões episcopais: Educação Cristã e Doutrina da Fé; Pastoral Social e Mobilidade Humana; Laicado e Família; Vocações e Ministérios; Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; Liturgia e Espiritualidade; e Missão e Nova Evangelização.

O organismo tem delegados episcopais, que asseguram a sua representação permanente junto do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), da Comissão dos Episcopados da União Europeia (COMECE) e dos Institutos de Vida Consagrada.

(Com Ecclesia)

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