Por Renato Moura

A evolução tecnológica tomou conta do mundo. Em muitas áreas e na da comunicação também. O progresso científico permite que hoje tenhamos, na ponta dos dedos, acesso imediato àquilo a que, alguns anos atrás, era inacessível. Temos de usar esta evolução em proveito da investigação, da cultura, do trabalho e até do divertimento.

Também é útil que aproveitemos as facilidades de comunicação para trabalharmos mais e melhor, para produzir mais depressa, para contactar com colegas de profissão, companheiros de actividade e amigos; e até para, com os devidos cuidados, estabelecer contactos com outras pessoas e trocar opiniões sobre alguns assuntos.

Se olharmos com um mínimo de atenção para o ambiente que nos rodeia, o que vemos é um número cada vez maior de pessoas agarrado ao computador, ao tablet ou ao telemóvel, seja no trabalho, nos locais públicos, em casa e… até quando conduzem viaturas. Mesmo alguns – entre os quais me incluo – que buscam a moderação, talvez progressivamente estejam aumentado alguma dependência excessiva destas novas tecnologias. Certas vezes por se terem tornado indispensáveis, outras de alguma forma vencidos pela eficácia e pela influência dos que nos rodeiam.

O contacto entre as pessoas cada vez é menos humano e mais indirecto, tantas vez já sequer sem voz! Já se abusa das reuniões sem presença física dos interlocutores.

Nesta época os estudantes estão de férias, muitos trabalhadores também, em alguns casos famílias inteiras. Mas mesmo assim, à mesa do mesmo restaurante ou café, na mesma esplanada, no mesmo jardim, cada pai ou mãe, cada filha ou filho, cada amigo dos que foram para férias juntos, estão agarrados ao seu aparelho, ao encontro do que está ausente, à procura da novidade que tantas vezes é virtual ou simples mexerico. Por vezes até ocupados com os joguinhos mais apropriados para promover a mobilidade das crianças e dos velhinhos e que até produzem barulhos repetitivos e enervantes para os vizinhos do lado; que ainda não são proibidos, mas porventura tão indesejáveis como fumo de cigarro! Permanecem assim ausentes dos presentes, desperdiçando oportunidades únicas de diálogo, conhecimento e discussão de pontos de vista, que a luta diária dos tempos de trabalho e aulas não permite.

Esta época seria excelente para também dar férias às tecnologias, reservar os computadores e os telemóveis para o mínimo indispensável. Aproveitemos as férias para a libertação da escravidão tecnológica. Reaprendamos a viver a humanidade dos encontros com pessoas reais; como Deus quer.