Bispo responsável pelo setor das comunicações sociais sublinha “alertas” deixados pelo Papa Francisco

A Igreja Católica celebra este domingo o Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS), com atenções sobre a dependência das redes sociais e o cyberbullying, com o objetivo de “circunscrever o fenómeno” que afeta, sobretudo, as novas gerações.

“As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying”, adverte Francisco, na sua mensagem para 53.º DMCS, com o tema ‘Das comunidades de redes sociais à comunidade humana’.

O Papa sublinha que, apesar do potencial das tecnologias da comunicação na aproximação de pessoas, estas redes “prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos”.

Na sua mensagem para o DMCS 2019, o pontífice propõe a redescoberta do sentido de comunidade como forma de superar os desafios levantados pelo recurso crescente às redes sociais e internet.

Francisco defende a necessidade de reencontrar a “verdadeira identidade comunitária”, na consciência da responsabilidade todos têm, uns para com os outros.

Já na última assembleia do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2018, que o Papa dedicou às novas gerações, tinha lançado um alerta sobre o “lado obscuro da rede”, com novas formas de violência, como o cyberbullying.O Papa assinala agora que a internet se tem mostrado “um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção” de factos e relações interpessoais.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, dos Bens Culturais e Comunicações Sociais D. João lavrador sublinha a propósito desta mensagem que o Papa desafia a uma comunicação “verdadeira, edificadora de comunhão e ao serviço da pessoa”.

Na apresentação do Dia Mundial das Comunicações Sociais 2019, em Lisboa, D. João Lavrador afirmou que o Papa “interpela” os comunicadores a “estabelecerem a relação entre a comunicação na rede e a comunidade”.

“Sublinhando o valor da pessoa que exige a relação interpessoal; mais ainda, questiona o testemunho cristão como fundamento de toda a comunicação porque se baseia em Deus Trindade, comunicação divina, que dá sentido e orienta toda a comunicação entre as pessoas”, desenvolveu o também bispo de Angra.

A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2019 tem como título ‘Das ‘Community’ às comunidades’, propondo uma reflexão sobre a atualidade e a natureza das relações que se criam na internet.

Segundo o responsável pela Comissão Episcopal que acompanha o setor dos media, esta mensagem retoma um tema abordado pelos últimos Papas, que diz respeito “às redes sociais, à comunicação em rede ou à comunicação no digital”.

“São muitos os desvios e perigos que integram a comunicação nas redes sociais – relevante é o individualismo na sociedade promovido por uma comunicação mal-entendida”, acrescentou no auditório da Rádio Renascença.

Neste contexto, observa que, igualmente, “se manifestam as potencialidades e virtualidades” que revestem a comunicação digital “desde que seja orientada pelos objetivos autenticamente humanos e potencie os laços mais profundos entre as pessoas”.

O bispo português destacou que Francisco apresenta três imagens, “a rede, a comunidade e o corpo”, com virtualidades e limites.

“O Santo Padre denuncia a má utilização das redes sociais, nomeadamente os perigos em que podem incorrer os jovens, e aponta o caminho para uma verdadeira comunicação social que forme comunidade, estabelecendo laços fortes de comunhão e de fraternidade, e sobretudo que edifique a sociedade como um corpo”, contextualizou.

Os donativos das comunidades católicas recolhidos nas Missas dominicais revertem em favor dos projetos do Secretariado Nacional das Comunicações e dos vários Secretariados Diocesanos do setor, em Portugal.

(IA com Ecclesia)