Por Renato Moura

Popularmente diz-se que “o tempo está a mudar”. As estações já não correspondem ao que eram. Atingem-se temperaturas extremas, há chuvas tão intensas que provocam inundações com consequências sociais e económicas muito penalizadoras.

Quando há já muitos anos se alertava para o aquecimento global e outros crimes contra a natureza, se receavam algumas consequências trágicas, também se apontavam medidas para tentar evitá-las, mas os grandes prevaricadores não aderiram aos acordos, ou ficaram-se pela formalidade da assinatura, eximindo-se à aplicação das medidas. A preocupação com a natureza, elevada ao grau máximo de encíclica na «Laudato si», trouxe a denúncia do Papa Francisco de “submissão da política ante a tecnologia e as finanças”.

O território português também é vítima dos fenómenos extremos. Ultimamente têm sido os fogos a fazer arder muito património público e privado. Perdas irrecuperáveis, ou que custarão pelo menos muito tempo, esforços e dinheiro; e em qualquer caso o país ficará ainda mais pobre. Os meios financeiros para remediar são escassos, demoram ou nunca chegam e há dramas humanos sem remédio, não só mas sobretudo quando se perdem vidas, casas e meios para ganhar o pão de cada dia, adquiridos com o esforço de tantos anos de trabalho, sacrifício e poupança.

A solidariedade da zona da UE dececionou, infelizmente como noutras matérias onde nos enclausuram em regras e ameaças. Surgiu donde porventura menos se esperaria, o que nos deve levar a alargar relações com mais mundo, prosseguindo a nossa tradição ancestral.

Extraordinário o esforço e a solidariedade de bombeiros, vizinhos, populares, como também de realçar a solidariedade de governantes, mas que não se pode ficar pelas palavras.

Nisto, como em tantas matérias, costuma afirmar-se sempre que depois da crise se vão retirar lições e preparar medidas mais eficazes. No ano seguinte começa tudo de novo e sempre igual ou pior! É por isso que é execrável, nisto como em tudo, ver os que estiveram recentemente no poder a assacar culpas aos que estão, precisamente nas áreas onde pecaram por omissão ou poderiam ter feito mais e melhor, e não fizeram!

É indispensável ter a humildade de reconhecer que estamos a sofrer consequências dos erros e omissões, globais ou parcelares. Importa agora que todos se unam na correção, pois que, como ensinou São Francisco de Assis “a humildade é a chave que abre todas as portas” e como legou Ernest Hemingway, “o segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade”.