O bispo do Funchal considera que a celebração na Madeira das Comemorações do Dia de Portugal é um reconhecimento “devido”, que vem “fechar com chave de ouro” os 600 anos da descoberta da Madeira e Porto Santo.

D. Nuno Brás destaca o papel do arquipélago, que representa um marco no “início da expansão portuguesa”.

Em 2020, devido à pandemia da Covid-19, o presidente da República cancelou as comemorações do 10 de Junho que estavam previstas para a Madeira e a África do Sul e este ano retomou as comemorações no Funchal.

“Apesar da distância de Lisboa, há um todo nacional que a Madeira quer continuar a manter, nem se compreende a Madeira sem este todo que é Portugal. Faria todo o sentido que as comemorações do 10 de junho tivessem sido no ano passado, mas finalmente este ano fechamos com chave de ouro os 600 anos da descoberta da Madeira e Porto Santo”, referiu D. Nuno Brás à Agência ECCLESIA.

O responsável católico sublinhou a importância que o Arquipélago sempre teve, “por estar no meio do Atlântico”, enquanto “plataforma giratória”.

Um impacto que se fez sentir a todos os níveis – “da política, com a organização do território por capitanias que é reproduzida- da economia e da fé”, numa perspetiva missionária.

“Celebramos há pouco os 500 anos da Diocese do Funchal, precisamente com a perspetiva de uma diocese global, que não se ficava por estas ilhas, inicialmente” e chegou a ser a maior do mundo, destaca D. Nuno Brás.

A respeito da celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, neste 10 de junho, o bispo do Funchal recorda que a Madeira, nos séculos XIX e XX foi “terra de missionários” e é muito marcada, também, por “sucessivos movimentos migratórios”, do Havai ao Reino Unido, passando pelo Brasil, a Venezuela e outros destinos nos cinco continentes.

“São mais os madeirenses que estão fora da ilha do que aqueles que aqui vivem, embora deixem sempre o coração aqui”, refere.

Os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à Ilha do Porto Santo em 1418 e um ano depois descobriram a Madeira, sendo que a chegada aconteceu a 1 de julho de 1419 mas o desembarque, a primeira Missa e a exploração do território tiveram lugar no dia seguinte.

A 31 de janeiro de 1533, o Papa Clemente VII elevou a sede funchalense a arquidiocese, dando-lhe um território, o mais vasto atribuído até hoje a uma diocese, que incluía jurisdição sobre todas as terras “descobertas e por descobrir” pelos navegadores portugueses na África, Brasil e Ásia.

O período em causa representou o lançamento, a partir do Funchal, de uma estrutura de organização diocesana pluricontinental que ajudou a definir uma Igreja mais atenta ao acompanhamento das suas comunidades crentes.

A Diocese do Funchal acompanharia, do ponto de vista religioso e civilizacional, a transformação das relações económicas culturais entre os vários continentes, no qual alguns especialistas denominam como “protoglobalização”.

Esta dimensão foi reconhecida na carta escrita pelo Papa Francisco, em 2014, ao nomear um legado pontifício para presidir às comemorações dos 500 anos da diocese que se tornou “a maior de todas”.

O primeiro Papa da América Latina evocou, simbolicamente, os muitos pregadores do Evangelho que partiram da Madeira para levar o Evangelho a outros territórios, impelidos pelo “amor espiritual” a esses povos.

A 12 de maio de 1991, João Paulo II visitou o arquipélago, cuja diocese designou como “mãe” das comunidades cristãs que se iam construindo nos territórios aonde chegavam os missionários portugueses, na África, no Oriente e no Brasil.

Os dois Papas reconheceram assim o papel histórico desempenhado por esta Igreja, sediada num centro fulcral do processo de globalização comercial, cultural e religiosa, com a criação de poderes eclesiásticos específicos.

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, liturgicamente celebra-se o Santo Anjo da Guarda de Portugal.

“Em Portugal a devoção ao Anjo da Guarda é muito antiga. Tomou, porém, um incremento especial com as Aparições do Anjo, em Fátima, aos Pastorinhos. Pio XII mandou inserir esta comemoração no nosso calendário”, informa o Secretariado Nacional da Liturgia.

(Com Ecclesia)