Doces e licores tradicionais caseiros marcam tradição nos Açores

Na Diocese de Angra o tempo do Natal é marcado por presépios característicos- as `Lapinhas´ e os `Altarinhos do Menino jesus´, uma “tradição viva no mundo rural”, e pelas ‘mijinhas do Menino’, por isso, nas cidades do arquipélago dos Açores  e também nas freguesias mais rurais, a pergunta mais frequente, feita a quem se visita nesta altura do ano é “o Menino mija?”.

Esta tradição, de resto, junta “grupos em peregrinação” por casas de amigos e familiares e constitui um símbolo do património etnográfico do arquipélago, na quadra do Natal, com especial incidência no período entre o Natal e o dia de Reis, a 6 de janeiro.

A tradição “o Menino mija?” é uma forma de partilhar o que se faz em casa para esta quadra. Os licores tradicionais de tangerina, ananás ou leite, feitos à base dos produtos da terra bem como as compotas tradicionais, são típicas dos lares açorianos nesta altura do ano.

Por outro lado, os “Altarinhos do Menino Jesus”, que muitas vezes surgem em alternativa ao presépio, são outra tradição açoriana à qual se junta, sobretudo na Ilha de São Miguel, o armar a ‘Lapinha’ que é um presépio em miniatura sobre rochas e ornamentado com materiais da terra e do mar, com figurinhas muito pequenas, de barro e pintadas à mão, que representam quadros da vida de Jesus.

“Há todo um conjunto de expressões de carácter cultural, o modo como se representa o Natal, como o Presépio de Machado Castro, em que a intenção não é apenas a representação do nascimento de Jesus, mas a movimentação das pessoas ao longo do tempo que marcam muito esta quadra nos Açores” lembra o Diretor do Serviço Diocesano da Pastoral das Comunicações Sociais da Igreja, Cónego Ricardo Henriques.

“Há também presépios de Lapinha com enfeites, musgo e flores de papel e secas que vêm desde o século XVI bem como os presépios vivos”, acrescenta.

Nove dias antes do dia 25 de dezembro, “um pouco por todo o arquipélago”, começa a preparação espiritual para o Natal, com as Novenas do Menino Jesus, ainda características dos meios mais rurais e que, por exemplo, Vila Franca do Campo, antiga capital da ilha de São Miguel, segue à risca.

“Há muitos anos fazia-se a novena em quase todas as paróquias pois o pároco residia perto. Hoje já não é tão frequente. Ainda me lembro, nas Flores, de participar na novena que começava às 6h30 da manhã seguida de missa às 7h00. Tal como a Missa da Aurora, às 4h30 da manhã, quando os homens se levantavam para ir para o campo”. Esta Missa foi recuperada há 7 anos no Faial, na paróquia de Santa Bárbara, nos Cedros, que a celebra na solenidade de Natal, no dia 25 de madrugada, terminando com um pequeno almoço partilhado por toda a comunidade.

O centro das celebrações natalícias é a missa vespertina do dia 24, a missa do Galo e a missa do dia de Natal.

O bispo de Angra, desde que entrou na diocese, tem procurado descentralizar a sua participação nas três principais ilhas. Começou pelo Faial, no ano passado presidiu na Sé de Angra e este ano estará em Ponta Delgada. De referir que a missa do Galo, na noite de 24 para 25, é sempre transmitida em direto pela RTP Açores e RTP Internacional. No dia 25, a seguir ao Telejornal da RTP Açores, o bispo de Angra tem a oportunidade de dirigir a sua mensagem de Natal a todos os diocesanos.