Documento intitulado “A beleza de Caminharmos juntos em Cristo” foi divulgado hoje

A diocese de Angra divulgou hoje, na festa da Transfiguração do Senhor, as orientações diocesanas de pastoral para o ano de 2019/2020 num documento que “convoca” toda a diocese para a caminhada sinodal que pretende “prosseguir” a dinâmica pastoral que se fundamenta no Concilio Vaticano II, primeiro na versão digital e só a 8 de setembro na edição impressa em papel.

Num texto intitulado “A beleza de Caminharmos juntos em Cristo”  Serviços Diocesanos, Movimentos de Apostolado, Institutos Religiosos e de Vida Consagrada e todos os batizados são interpelados a “onde for possível” organizar “debates abertos a toda a sociedade para escutar todos aqueles que queiram ajudar a Igreja diocesana a encontrar a melhor resposta para o diálogo com o mundo de hoje”.

A diocese promete divulgar um esquema de oração que deve acompanhar todas as reuniões e celebrações das comunidades cristãs, disponibilizando subsídios para a liturgia com vista a que esta ação esteja centrada “no coração de Deus”.

Estes documentos irão ser implementados pela Comissão Diocesana nomeada para o efeito e que é composta por leigos e sacerdotes, de forma a que neste ano em que se inicia esta caminhada possa ser “incrementada a participação de todos”.

“Há épocas na história colectiva e na vivência das comunidades cristãs que se exige uma refontalização de modo a adquirir novas energias, a sintonizar melhor com o ideal evangélico e a situar a missão evangelizadora como resposta adequada ao mundo em que vivemos” refere o texto na introdução ao tema destas orientações de pastoral dirigidas a toda a diocese, desde as ouvidorias, às paróquias até à família e aos jovens.

As orientações  começam por explicar o que se entende por caminhada sinodal: “ não é tão só um acontecimento mas sobretudo uma caminhada que manifeste um estilo próprio de ser comunidade na qual todos os baptizados são chamados a participar ativamente”.

Neste sentido, pretende-se “a nível de cada paróquia, movimento, organismo, instituição, que integra a diocese, que todos e cada um dos batizados se sintam pertença de uma comunidade cristã concreta e que dela participe ativamente, seja na análise dos problemas, seja nas propostas de solução, seja no seu compromisso de ser membro ativo na missão evangelizadora nos diversos campos em que esta se desenvolve”.

O texto hoje divulgado sugere depois um itinerário concreto, em que a formação aparece logo à cabeça, como condição essencial para “uma participação lúcida e ativa”. Esta formação “exigente e urgente” não poderá “ser tão só ao estilo académico”, privilegiando a formação integral, intelectual, humana, pastoral, espiritual, sacramental e comunitária. Por isso, uma das prioridades será a catequese, com uma aposta na formação de catequistas, motivando os pais para a sua responsabilidade na catequese dos filhos, sem perder de vista a catequese de adultos.

O documento destaca o principio de uma igreja ministerial, assente na premissa da corresponsabilização para que existam comunidades “em verdadeira comunhão”.

“Pelo que vamos verificando, falta espirito de comunhão nas paróquias e nos diversos organismos da Igreja. Por isso, toda acção da Igreja, desde a formação, passado pela celebração dos mistérios da fé, até à exigida partilha fraterna, deve conduzir à edificação da comunhão eclesial”.

“Pensar numa Igreja em caminha sinodal é partir do pressuposto de que desejamos viver em comunhão eclesial. Aliás, a eficácia deste estilo de ser e de atuar que é definido por caminhada sinodal terá de contar com a vontade de construir a comunhão”, prossegue o documento.

Uma igreja ministerial com co-responsabilização de todos

“Esta comunhão eclesial vive-se em diversos círculos. Começa por ser uma exigência de vida e testemunho dos sacerdotes que devem primar por um presbitério que sente a alegria de fortalecer laços de comunhão entre todos os seus membros; alarga-se à comunidade cristã de modo que seja visível um núcleo comunitário que testemunhe a comunhão eclesial; ainda na paróquia, os diversos grupos, movimentos e instituições devem fortalecer os laços de comunhão cristã entre eles; por último, o cume de toda a comunhão eclesial está na diocese que deve ser testemunha de comunhão e de unidade no meio do mundo onde vive” pode ler-se no documento onde vêm expressas as orientações de pastoral para a diocese insular.

Outro dos aspetos que é referenciado é a centralidade da Eucaristia.

“É notória a deficiente consciência do lugar da Eucaristia na vida da Igreja, de cada comunidade cristã e de cada cristão”, destaca o documento apontando vários problemas, entre os quais a “ritualização” para lançar o desafio: “teremos de descobrir a centralidade da Eucaristia na vida da comunidade cristã e na vivência de cada um, a sua relação comunitária e a descoberta de Jesus Cristo vivo”.

E, deixa o alerta: “A Eucaristia é uma experiência que exige o maior cuida- do de quem preside, de todos os que nela têm ministérios e serviços e de todos os que nela participam. A Eucaristia deve primar pelo mistério oferecido e acolhido, mas pela beleza e simplicidade, pela Palavra Sagrada e pela interioridade.”

No documento intitulado “A beleza de caminharmos juntos em Cristo”, a diocese apela ainda a uma “atenção privilegiada aos jovens”, às “famílias” e aos “excluídos”. Em relação aos primeiros recorda as orientações do Papa, na exortação Cristo Vive, apresentada na sequência do Sínodo sobre os jovens a Fé e a Igreja para reforçar que a Igreja “deve estar interessada nos jovens, cada comunidade cristã deve saber integrá-los e estes devem ajudar a paróquia a saber dialogar com eles no contexto da sua cultura e das suas novas linguagens”.

Já em relação aos excluídos lembra que “Caminhar em comum exige que seja mesmo com todos e para todos”, isto é, “ teremos de equacionar novos modelos de promoção que vão ao encontro dos excluídos” dando-lhes o “protagonismo e a autonomia”.

A beleza de caminhar juntos com Cristo é o lema dos próximos anos. É muito sugestivo e interpelante.” sublinha o documento, que convida a  “ descobrir a beleza do amor que se entrelaça com a fé e anima a verdadeira esperança”.

“Neste primeiro ano iremos analisar a realidade que somos: a nossa sociedade, a nossa cultura e a nossa Igreja. Vamos todos empenharmo-nos nesta análise que nos faz descobrir a realidade do hoje em que vivemos. Fazemo-lo com olhos de crentes. Isto significa que procuramos aprofundar o que o Concilio Vaticano II chama os sinais dos tempos que a par com a Escritura, a Tradição viva da Igreja e o Magistério, são reveladores de Deus”, conclui.

Neste documento encontram-se, ainda as atividades previstas para o novo ano pastoral bem como documentos essenciais que reforçam a importância desta caminhada, num ano de olhos postos na missão, depois do Papa e da Conferência episcopal portuguesa terem dado particular relevo a esta dimensão absolutamente essencial da vida dos cristãos.