Por Renato Moura

O Papa Francisco é mundialmente respeitado por um vasto conjunto de qualidades. Inteligência, frontalidade e sentido de oportunidade são apenas algumas. É admirável fundar-se sempre na Bíblia e apoiar-se na doutrina.

Interpretando o Evangelho da Eucaristia do passado Domingo (Mt 21,28-32), afirmou: “Com a sua pregação sobre o Reino de Deus, Jesus opõe-se a uma religiosidade que não envolve a vida humana, que não interpela a consciência e a sua responsabilidade frente ao bem e ao mal”. Esclareceu: “Jesus quer superar uma religião entendida apenas como prática externa e habitual, que não afecta a vida e as atitudes das pessoas, uma religiosidade superficial, somente ‘ritual’, no sentido feio da palavra”.

O nosso Papa preocupado com aquilo a que chamou “religiosidade de fachada”, explicitou: “A fé em Deus pede para renovar todos os dias a escolha do bem em detrimento do mal, a escolha da verdade em detrimento da mentira, a escolha do amor ao próximo em detrimento do egoísmo” e continuou: “O Evangelho de hoje põe em questão a maneira de viver a vida cristã, que não é feita de sonhos e de belas aspirações, mas de compromissos concretos para nos abrir cada vez mais à vontade de Deus e ao amor pelos irmãos”.

Olhando o mundo, também decifrando quanto nos rodeia, observaremos aparências visando impressionar pelo aparato e assim descobriremos a falsidade. Há fachadas postiças construídas no medo de expor as dificuldades com verdade, frequentemente servindo para encobrir erros, tapar insuficiências. Inventam-se para alimentar aspirações e criar belas expectativas. As fachadas só rendem aos criadores enquanto não cai o pano. As fachadas tapam os horizontes reais, fecham os caminhos exigentes, mas possíveis; simulam sonhos que gerarão fatais decepções. O uso e abuso do expediente das fachadas dá cabo do restante da mobilização social e da cidadania participativa.

As afirmações de Francisco impelem a que a Igreja ao nível de todas as hierarquias, passando pelos movimentos e chegando a todos os batizados, reflictam e inflictam. Mas o valor delas deve-se ao facto de terem um alcance muito mais abrangente e interpela todos os Homens, principalmente os detentores de responsabilidades políticas, sociais e económicas. Todos estes não necessitando ser cristãos para serem homens e mulheres com consciência cívica e moral; como todos mudariam o mundo se sempre escolhessem o bem, a verdade e o amor ao próximo.

As falsas promessas e as fachadas nunca pecam por omissão; mas pecam por palavras e por actos.