O Papa convidou hoje, no Vaticano, a preparar o Natal com um olhar atento aos mais necessitados, com gestos de ajuda e atenção.

“Façamos como Maria: olhemos à nossa volta e procuremos alguém a quem possamos ajudar. Conheço algum idoso a quem possa dar alguma ajuda, fazer companhia? Que cada um pense nisso. Um serviço a alguém, uma gentileza, um telefonema? A quem posso ajudar?”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.

“Ao ajudar os outros, ajudar-nos-emos a nós mesmos a superar as dificuldades”, referiu aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

A reflexão partiu da passagem do Evangelho segundo São Lucas que relata a visita da Virgem Maria à sua prima Isabel (cf. Lc 1, 39-45), colocando-se a caminho apesar dos próprios problemas que teria de enfrentar.

“Pensa primeiro nos necessitados”, destacou Francisco.

O Papa sublinhou que Maria percorreu vários quilómetros, a pé, para “partilhar a sua alegria”, sem se deixar intimidar pelos incómodos do caminho, “respondendo a um impulso interior que a chama a aproximar-se e a ajudar”.

A catequese dominical centrou-se em dois verbos que dominam este episódio – “Levantar-se” e “caminhar apressadamente” – e que inspiram o tema para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023, que se vai realizar em Lisboa: ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’.

Francisco destacou que a gravidez da Mãe de Jesus a colocava exposta a “mal-entendidos” e até a “penas severas”.

“Ela não desanima, ela não desespera, mas levanta-se. Não olha para baixo, para os problemas, mas para cima, para Deus, e não pensa em quem pedir ajuda, mas a quem ajudar”, realçou.

O Papa convidou a imitar esta atitude e “levantar-se” perante os problemas, para evitar cair numa tristeza pantanosa e “paralisante”.

“Partir apressadamente não significa avançar com agitação, de forma ofegante: trata-se antes de conduzir os nossos dias com passo alegre, olhando para a frente com confiança, sem nos arrastarmos com má vontade, escravos das lamentações, que arruínam tantas vidas”, acrescentou.

A reflexão sublinhou a importância de viver sem “procurar alguém a quem culpar” pelos problemas e de cultivar um “bom humor saudável”, como fizeram, por exemplo, São Tomás Moro ou São Filipe Neri.

“Não nos esqueçamos de que o primeiro ato de caridade que podemos fazer ao nosso próximo é oferecer-lhe um rosto sereno e sorridente”, indicou o pontífice.

Antes de se despedir dos peregrinos, o Papa deixou votos de um bom caminho na reta final do Advento, rumo ao Natal.

“Que seja para todos nós um tempo de espera, com a oração”, desejou.