O Papa disse hoje no Vaticano que é preciso superar a obsessão com os “likes” nas redes sociais, vivendo com alegria e fraternidade, ao serviço do outro.

“Não bastam os ‘likes’ para viver, é preciso fraternidade, alegria verdadeira. A Cáritas pode ser uma lição de vida que ajuda tantos jovens a descobrir o sentido do dom, fazendo-os saborear o gosto bom de se reencontrar a si mesmo, dedicando tempo aos outros”, referiu Francisco, numa audiência especial que decorreu no auditório Paulo VI, para assinalar o 50.º aniversário da Cáritas Italiana.

A iniciativa reuniu mais de mil pessoas em representação das 218 Cáritas diocesanas.

“Nunca se desperdiça o tempo que se dedica a tecer juntos, com amizade, entusiasmo e paciência, relações que superem a cultura da indiferença e da aparência”, declarou.

O encontro contou com vários testemunhos e reflexões de membros do organismo católico de solidariedade e ação humanitária.

Francisco convidou os participantes a agradecer o percurso de meio século de serviço da Cáritas Italiana, projetando o futuro no caminho “dos últimos”, do Evangelho e da criatividade, a partir dos “olhos do pobre”.

A intervenção destacou a importância da ação caritativa em favor dos migrantes, na cooperação com o sul do mundo e na resposta a emergências humanas e catástrofes naturais.

O Papa destacou que à Igreja Católica compete “proclamar a dignidade humana, quando é espezinhada, fazer ouvir o grito dos pobres, dar voz a quem não a tem”.

“A caridade é inclusiva, não se ocupa apenas do aspeto material, nem sequer apenas do espiritual. A salvação de Jesus abraça o homem todo. Temos necessidade de uma caridade dedicada ao desenvolvimento integral da pessoa: uma caridade espiritual, material, intelectual”, afirmou.

Francisco sublinhou que os 50 anos de experiência não são “uma bagagem de coisas a repetir”, mas a base para construir novas respostas, diante do crescimento da pobreza.

“Contra o vírus do pessimismo, imunizem-se com a partilha da alegria de ser uma grande família”, apelou.

A intervenção elogiou o papel da Cáritas na resposta à pandemia, com uma presença reforçada para “aliviar a solidão, o sofrimento e as necessidades de muitos”.

(Com Ecclesia)