O Papa disse hoje no regresso a Roma, após a sua primeira viagem do Iraque, que o caminho de diálogo com o Islão vai conhecer “novos passos” e rebateu as críticas internas sobre a sua opção pela “fraternidade humana”.

“São riscos, mas estas decisões são tomadas em oração, em diálogo, pedindo conselho, em reflexão, não são caprichos. E é a linha que o Concílio [Vaticano II] nos ensinou”, referiu aos jornalistas que o acompanharam no voo desde Bagdade.

Francisco admitiu que, a respeito do diálogo inter-religioso, há quem veja as suas iniciativas como “heresia”, mas sublinhou que é necessário “arriscar” para dar este passo.

“Sabem que há alguns críticos que dizem que o Papa não é corajoso, mas inconsciente, que está a dar passos contra a doutrina católico, que está a um passo da heresia”, lamentou.

Após ter-se encontrado com o grande aitola Al-Sistina, líder xiita do Iraque, na cidade de Najaf, uma das mais santas para esta comunidade muçulmana, Francisco evocou o caminho iniciado em 2019, com a assinatura da declaração sobre a fraternidade humana, em Abu Dhabi, e continuado em 2020 com a encíclica ‘Fratelli Tutti’.

“É importante o caminho da fraternidade”, sustentou.

Para o Papa, a fraternidade é “um caminho cultural” e, do ponto de vista de fé, “a revelação de Jesus, o amor, a caridade, leva a isto”, num percurso feito ao longo de séculos.

“Como homens, somos todos irmãos e temos de seguir em frente com as outras religiões, não?”, acrescentou.

Francisco insistiu na convicção desta fraternidade universal.

“Se tu és humano, filho de Deus, és meu irmão. Ponto”, declarou.

A conversa abordou o encontro com o Al-Sistani, que o Papa considerou “uma peregrinação de fé e de penitência”.

“É um homem sábio, um homem de Deus. Só por ouvi-lo podemos perceber isso”, referiu.

Para Francisco, esta foi uma “mensagem universal”, marcada por um clima de “respeito”.

“Senti-me muito honrado. No momento dos cumprimentos, ele nunca se levanta, mas levantou-se para me cumprimentar, por duas vezes. É um homem humilde e sábio, fez-me bem este encontro”, relatou.

Após uma viagem que contou com vários encontros e testemunhos de personalidades de outras religiões, no Iraque, Francisco deixou um elogio aos que “vivem os valores humanos com coerência, a fraternidade com coerência”.

(Com Ecclesia)