Francisco deixou mensagens em favor dos mais pobres e pela paz, após passagens por Moçambique, Madagáscar e Maurícia

O Papa concluiu hoje na República da Maurícia o programa da sua quarta viagem ao continente africano, iniciada a 4 de setembro, na qual lançou várias mensagens em defesa de um novo modelo de desenvolvimento.

Após seis dias em países marcados pela pobreza ou pela crise climática, Francisco condenou o denominou como “modelo económico idolátrico”, defendendo uma maior proteção dos mais desfavorecidos e da natureza, além de desafiar a Igreja Católica a confiar nos “descartados”, apresentando como exemplo o missionário francês Jacques-Désiré Laval, do século XIX, que dedicou a sua vida aos antigos escravos na Maurícia.

Antes, em Madagáscar, Francisco elogiou a proximidade da Igreja Católica com o povo, desejando que “nunca se afaste” das pessoas que serve e que saiba levantar a sua voz contra “todas as formas de pobreza”

Em Antananarivo, o Papa criticou a corrupção e as desigualdades sociais que provocam situações de “pobreza desumana” no país, onde visitou a ‘Cidade da Amizade’, do projeto humanitário ‘Akamasoa’, iniciativa do padre vicentino Pedro Opeka, que realojou populações de lixeiras a céu aberto.

“Cada recanto destes bairros, cada escola ou dispensário é um cântico de esperança que recusa e faz calar toda a fatalidade. Digamo-lo com força: a pobreza não é uma fatalidade”, sustentou.

Num dos momentos altos da festa, o missionário argentino, antigo aluno de Jorge Mario Bergoglio, em Buenos Aires, acolheu Francisco no auditório de Manantenasoa, onde se reuniram cerca de 8 mil crianças e jovens, num clima de grande entusiasmo.

O Papa sustentou que só o “espírito de fraternidade” pode superar a miséria, a corrupção e o extremismo”, que ameaçam a dignidade humana e a natureza; junto de cerca de 100 mil jovens, que participaram numa vigília, alertou para ilusões de felicidade e falsos “caminhos fáceis” para a vida.

A viagem começou em Moçambique, numa visita de três dias centrada na necessidade de uma “nova página” na história do país lusófono, que promova uma viragem definitiva para um futuro democrático e de paz.

Francisco pernoita hoje na capital Malgaxe, seguindo na terça-feira de manhã em direção a Roma.

O Papa fez até hoje 31 viagens internacionais, nas quais visitou 47 países, passando pelo Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba, Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, México, Arménia, Polónia, Geórgia, Azerbaijão, Suécia, Egito, Portugal, Colômbia, Mianmar, Bangladesh, Chile, Perú, Bélgica, Irlanda, Lituânia, Estónia, Letónia, Panamá, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bulgária, Macedónia do Norte, Roménia, Moçambique, Madagáscar e Maurícia; as cidades de Estrasburgo (França), onde esteve no Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia), Sarajevo (Bósnia-Herzegovina) e Lesbos (Grécia).

(Com Ecclesia)