Por Renato Moura

Portugal sagrou-se campeão europeu de futebol.

A Federação acreditou num treinador português e Fernando Santos traçou logo um objectivo: ser campeão europeu. Trabalhou com imensos jogadores, convictamente escolheu 23 e sereno enfrentou as críticas. Mesmo durante a prova, quando se empatava, reafirmou o objectivo: regressar a Portugal a 11 de Julho, em festa.

Fernando Santos fez acreditar, uniu futebolistas vindos de clubes diversos, mentalizou-os para estarem tão disponíveis para titulares como suplentes, valorizou o colectivo acima das individualidades, instigou confiança sempre e até nas situações adversas. Privilegiou o objectivo em vez do espectáculo, foi discreto e sério, relacionou-se bem com a comunicação social, interagiu com os adeptos.

A selecção teve coração, espírito nacional, estratégia para defender, nervos de aço perante as contrariedades, capacidade de luta, convicção para inverter os acontecimentos, crença no sucesso, coragem para subir acima de selecções das potências europeias, cheias de estrelas e mais favoritas.

O triunfo é colectivo: da Federação, da equipa técnica e de apoio, dos jogadores, mas tem a marca indelével que é do líder Fernando Santos. É o resultado de muito trabalho, do aperfeiçoamento ao longo da prova, da força que tem a esperança, da energia dos emigrantes, da mobilização do povo português que ansiava um êxito.

É certo que a vitória nacional não resolve os muitos problemas do país. Mas foi importante para reafirmar Portugal no mundo. O sucesso da selecção pode ser aproveitado como um magistral exemplo de que um país embora pequeno pode vencer desafios, se todos os responsáveis nacionais, políticos e não só, souberem enfrentar as dificuldades e unir-se, ser ousados e querer, organizar-se e planear trabalho, ser resistentes, apaixonados e apetrechados para ganhar em ambientes hostis. Os nossos emigrantes em todo o mundo e a adesão sublime nos países de língua portuguesa, demonstraram a grande dimensão de Portugal, que era essencial mobilizar para as grandes causas nacionais.

Aprendamos que para levantar o esplendor de Portugal todos valem, chamem-se Ronaldo ou Éder!

Retenhamos o grande exemplo de Fernando Santos, o homem que com convicção se assumiu como católico, apostólico, romano; que reza ao levantar-se e ao deitar-se; que no rescaldo da vitória não esqueceu Deus, sob os holofotes do mundo Lhe agradeceu por ter sido convocado e por Ele ter iluminado e guiado a equipa, Lhe dedicou a conquista; e acrescentou “Espero e desejo que seja para glória do Seu nome”.