É uma das cinco peças de ourivesaria nacional de maior relevo do período barroco entre 1756 e 1758, que vão integrar a exposição ?Esplendor e Glória? que estará patente ao público entre Junho e Outubro, em Lisboa.

O Resplendor, a peça mais rica do tesouro do Senhor Santo Cristo dos Milagres, vai integrar uma exposição de prestígio internacional que se realiza entre Junho e Outubro no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, intitulada “Esplendor e Glória”.

 

Esta exposição, que reunirá as cinco peças de “maior significado” na joalharia/ourivesaria portuguesa no período barroco entre 1756 e 1780 – Custódia da Sé Patriarcal de Lisboa, a Custódia da Bemposta, o Resplendor do Senhor dos Passos da Graça, as Peças das três Ordens de D. João VI e o Resplendor do Senhor Santo Cristo dos Milagres- será um momento “único” de “valorização e reconhecimento do valor artístico desta peça mas também de projeção do Culto ao Senhor Santo Cristo”, disse esta quarta-feira ao Portal da Diocese o Bispo de Angra.

 

“Depois de ouvir o parecer de todas as pessoas envolvidas, nomeadamente o Serviço Diocesano dos Bens Culturais da Igreja, a Direção regional da Cultura, o Conselho e o Reitor do Santuário, a Irmandade do Senhor Santo Cristo e outros técnicos competentes e especializados e depois de conhecer rigorosamente as condições de transporte da peça decidi que seria uma oportunidade única para partilhar e projetar esta peça e contribuir para a sua valorização”, frisou D. António de Sousa Braga.

 

O Resplendor do Senhor Santo Cristo, posterior ao inicio do culto, é a peça mais rica do espólio, composto, ainda, pela Coroa, a Corda, o relicário e o Ceptro.

 

A peça, devidamente fotografada e documentada já foi alvo de um estudo gemológico por um dos maiores especialistas nacionais na matéria, – o professor Galopim de Carvalho- e todas as pedras incrustadas estão identificadas e referenciadas num inventário.

 

O Resplendor, em platina cromada de ouro, pesa 4,850 gramas e possui 6.842 pedras preciosas de todas as qualidades: topázios, rubis, ametistas, safiras, entre outros, fruto das dádivas dos fieis.

 

Além do valor artístico, esta jóia está carregada de elementos simbólicos ligados à teologia. O primeiro é a da Santíssima Trindade, representada por um triângulo no centro que contém três caracteres com o seguinte significado: “Sou o que Sou” e também “Pai, Filho e Espírito Santo”. Deste triângulo irradiam os resplendores para as extremidades da peça.

 

O segundo elemento é a Redenção de Cristo, representada pelo cordeiro sobre a cruz e pelo livro dos Sete Selos do Apocalipse.

 

Um terceiro é a Eucaristia, simbolizada por uma ave, o pelicano, pelo cálice e pelo cibório.

 

O último elemento simbólico do Resplendor é a Paixão de Cristo passando pela coroa representada em pormenor: desde a túnica ao galo da Paixão, passando pela coroa de espinhos integralmente feita de esmeraldas.

Dos vários estudos que já foram feitos a esta peça única da joalharia portuguesa, estima-se que o seu autor possa ter sido Adam Gottlieb Pollet, joalheiro da Casa Real portuguesa.

 

“A ida temporária desta peça para o Museu Nacional de Arte Antiga, uma das instituições museológicas mais reputadas do país,  terá também a vantagem de permitir a realização de estudos para confirmar se este ourives é de facto o seu autor” referiu ao Portal da Diocese o responsável pelo Serviço Diocesano dos Bens Culturais da Igreja, Pe Duarte Melo.

 

De resto, é uma das pessoas envolvidas neste processo que levará a peça, depois de terminadas as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que decorrem entre sexta feira, dia 23 e 28 de maio, para Lisboa.

 

“Estamos a lidar com pessoas muito experientes que sabem rigorosamente o que estão a fazer e por isso todas as condições de segurança serão acauteladas para que a peça chegue e regresse sem qualquer problema”, disse ao Portal o responsável diocesano.

 

“É, sem sombra de dúvida, um momento alto na história do Culto ao Senhor Santo Cristo pois o facto do Resplendor integrar esta exposição é uma oportunidade para promovermos estas festas e, sobretudo, valorizarmos um culto que é nosso mas que temos o privilégio de partilhar com todos aqueles que visitarem esta exposição”, conclui Duarte Melo.

 

Nos próximos dias, quando a Imagem do senhor Santo Cristo dos Milagres sair à rua em procissão, todos os fieis terão oportunidade de apreciar a peça que estará no andor como todos os anos.