Por Renato Moura

Há, actualmente, uma esperança de vida mais longa. Os que já não são novos viram a maioria dos idosos permanecerem em suas casas, até ao fim da vida, assistidos pelos seus familiares. Nem era só a falta de lares, mas o horror dos idosos acabarem os seus dias em instituições denominadas como asilos e reconhecidas como refúgios, ou uma espécie de cemitérios de vivos.

Outrora havia muitos familiares que tinham disponibilidade para assistir os seus. Hoje o maior acesso das mulheres aos empregos, aliada à necessidade de os dois membros do casal trabalharem, frequentemente não permite a assistência a idosos, sobretudo se acamados ou privados das faculdades mentais.

Quando a assistência domiciliária não é suficiente, há que passar o fim da vida nos lares, que têm crescido em número e capacidade, em muitos casos também em qualidade. Assim temos de estar mentalizados para ser esse o futuro que nos espera, a não ser que a morte nos surpreenda novos, ou aparentemente saudáveis. Esperar por um estatuto capaz para cuidadores familiares, é por ora uma utopia.

Há lares dotados de um conjunto de equipamentos concebidos para facilitar um bom tratamento aos utentes. Também há lares com profissionais especializados e qualificados, na área do serviço social e saúde; há muitos trabalhadores para os demais serviços que estão habilitados para aquilo que têm de fazer. Mas todas as tarefas de um lar, principalmente aquelas que têm relação directa com os idosos, são muito exigentes, não bastando apenas a formação do pessoal.

Aos trabalhadores é fundamental a vocação inequívoca para as funções, uma dedicação sem mancha e caridade, assim como a todos os dirigentes, exigindo-se a estes, simultaneamente, capacidade de gestão. Ser bom gestor não é acumular dinheiro, mas é fazer mais e melhor com o menor custo. Nos lares é oferecer o melhor a quem já não tem familiares, ou estes já se esqueceram do que receberam e nem retribuem com visitas.

É inaceitável que as ementas de algum lar não sejam feitas por nutricionistas, ou que não se incluam nelas pratos tradicionais da vivência dos que lá estão, apropriadamente confeccionados a quem se destinam; e até a comida de dieta, só para quem dela necessite, não deve ser desprovida de temperos adequados e desenxabida.

Disse há dias o Papa: “O amor ao próximo não se limita à aplicação de critérios de conveniência económica e política” e “É tempo de relançar uma nova visão para o humanismo fraterno e solidário das pessoas e dos povos colocando em primeiro lugar a criatura humana”.