Por Renato Moura

O novo Governo Regional dos Açores já tem o Programa aprovado e está em pleno exercício de funções.

Para além do conteúdo programático, quem esteve atento pôde observar os protagonistas: governantes e deputados, estes dos vários lados onde se afirmam, ou pelo menos se firmam. Os membros do Governo, mesmo não sendo académicos das áreas que tutelam, podem ser bons executivos, se souberem ser políticos de qualidade. Mas não seja à semelhança do antigo regulamento militar, no qual se referia que as praças deveriam saber ler e escrever, pois que os seus oficiais poderiam não sabê-lo!

Houve governantes com discursos e retórica fluente e convincente; alguns enrascados, com prestações preocupantes, decepcionantes, para não dizer aviltantes. Outros disseram-se da ambição, alguns não disfarçaram a presunção. E não haja ilusões: os directores regionais serão à medida dos seus «patrões» governantes.

A arrogância esteve demasiado presente no discurso parlamentar: nalguns da situação engendrada e noutros da oposição.

Temos agora uma Secretária da Cultura. De esperar sair prestigiada a cultura popular, fonte de sabedoria, feita de conhecimentos sobre a vida: com os seus provérbios aconselha, transmite normas sociais, educa, fornece máximas e conceitos morais.

Há deputados apoiantes incondicionais da inexperimentada solução governativa. Mas lá dizem os provérbios: “Quando a esmola é demais o santo desconfia”, “Nem tudo o que reluz é ouro”, “Não existe rosa sem espinho”, “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, “Não há gosto sem desgosto”, “Antes que o mal cresça, corta-se-lhe a cabeça”.

Da oposição espera-se rigor, firmeza e alternativa. Os provérbios aconselham: “Não julgue um livro pela capa”, “Bom começo é já metade”, “Águas passadas não movem moinho”, “Dívidas e pecados cada um paga pelos seus”, “Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho”, “Cá se faz, cá se paga”.

O Governo promete muitas coisas boas, por ora não se sabe se todas as boas serão concretizáveis ou concretizadas. O Programa obriga e os discursos comprometem. Não se esqueçam os ensinamentos dos provérbios: “O homem é senhor do que pensa e escravo do que diz”, “Antes uma hora de governo que três de serviço”, “Não sabe governar quem a todos quer contentar”, “Antes pouco e bom, do que muito e mau”, “A presunção é a mãe de todas as asneiras”, “Antes só do que mal acompanhado”, “Assim como fizeres assim acharás”.

Não se perca a esperança. O cotejo entre promessas e projectos começa já no Plano. Continua nas realizações.