Presidente da Cáritas diocesana foi reconduzida  para mais um mandato, esta quinta-feira

A ação da Cáritas é “muito maior” que a dimensão assistencialista e hoje o grande desafio da instituição nos Açores é perceber que respostas precisa a sociedade. E esta pandemia vem mostrar, por exemplo,  que os idosos, pela sua situação de fragilidade e isolamento, são certamente uma prioridade que a Cáritas terá de considerar ainda mais no futuro, refere Anabela Borba, a presidente da Cáritas diocesana que acaba de ser reconduzida no cargo esta quinta-feira.

Anabela Borga dirigia a instituição na Terceira há mais de duas décadas e agora ficou apenas na direção regional onde procura dinamizar as várias vertentes de ação desta instituição católica que tem como lema a proximidade.

“Quando nós falamos na Cáritas falamos no apoio, mas a Cáritas é muito mais: as empresas de inserção social, o apoio aos jovens, o apoio a jovens deficientes., animação de rua, o trabalho desenvolvido nas escolas. O importante é em cada momento e em cada realidade sabermos responder às necessidades locais” refere numa entrevista ao programa de rádio Igreja Açores que vai para o ar este domingo, depois do meio-dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra.

“O nosso desafio maior é perceber a realidade social de cada ilha e respondermos aos desafios procurando sempre estratégias de promoção da dignidade da pessoa”, alerta sublinhando a importância do desenvolvimento pessoal na ação da Cáritas.

“A Cáritas  tem de ver, em cada uma das ilhas, primeiro se a animação da pastoral social é uma coisa constante e semelhante, tal como o socorro imediato também o deve ser. E depois ver qual é o enquadramento do projectos de desenvolvimento pessoal e social. Por exemplo na Terceira optámos pelos jovens; em São Miguel optámos pelos sem-abrigo. As respostas têm de ser adequadas, isso é que é importante”, adverte Anabela Borba.

“A pandemia vem mostrar a terceira idade de forma dramática: o isolamento, a solidão dos idosos” entram pela casa dentro todos os dias “e não é só a questão dos lares”, refere.

“Este tem, que ser o nosso próximo passo: conseguir ser companhia presente de quem necessita, dando tempo e presença a quem dela necessita”, esclarece ainda.

A dirigente lembra que a “falta de tempo para o outro”, algum “egoísmo” e um centramento nos problemas de cada um, “torna-nos cada vez menos comprometidos”.

Nesta entrevista fala ainda dos entraves que existem no terreno para a implementação do modelo Cáritas em cada uma das paróquias dos Açores e da situação que o arquipélago vive em termos sociais.

“A ilha mais preocupante é, sem dúvida, São Miguel; mas já o era antes da pandemia. Acredito que nos próximos dois anos haja problemas também noutras ilhas” adianta.

A Cáritas diocesana já mobilizou algumas vezes o fundo da Cáritas portuguesa para este tempo de pandemia, sobretudo para canalizar ajuda para São Miguel- Rabo de Peixe e Ponta Garça- mas também para intervenções pontuais nas Flores e no Corvo.

Além deste apoio há um outro que resulta de um donativo feito pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento que permitiu à instituição uma folga financeira para adquirir bens alimentares. No total serão cerca de 50 famílias que têm beneficiado deste apoio, adianta destacando, contudo, que o número de apoios disponibilizados pela Cáritas até tem diminuído pois o programa alimentar de apoio a famílias carenciadas, criado na anterior legislatura, nos Açores, ajudou a suprir esta dificuldade das famílias em obter os alimentos necessários ao agregado familiar, num período de maior emergência.

A entrevista de Anabela Borba vai para o ar este domingo depois do meio-dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.