Cónego Hélder Fonseca Mendes presidiu às cerimónias da Vigília Pascal na Sé de Angra

O Vigário Geral da Diocese de Angra exortou hoje os cristãos açorianos a viverem a vida como um “dom  e uma doação” de Deus.

Durante a homília da Vigília Pascal que se realizou esta noite na Sé de Angra, que foi concelebrada por D. António de Sousa Braga, ainda a recuperar da cirurgia cardio toráxica, entre outros sacerdotes, o Cónego Hélder Fonseca Mendes sublinhou a importância da “força regeneradora” do amor de Deus que os cristãos devem projetar nos seus irmãos.

“Tal como as mulheres e os discípulos, não vamos encontrar Cristo no sepulcro mas no coração da vida, na profundidade do que é ordinário, dotando-o de sentido e força regeneradora, do verde da esperança” disse o responsável diocesano que reafirmou que o “ressuscitado  `primereia-nos´ no amor e na paz, fazendo da nossa vida não um pesadelo, mas um dom e uma doação, para sermos também uma Igreja em saída, presente nas periferias existenciais e culturais que necessitam a Luz do Evangelho”.

Referindo-se à simbologia desta noite e das noites que a precederam, o Cónego Hélder Fonseca Mendes sublinhou que o Triduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado “é o centro de todo o colendáro cristão”, permitindo uma vitória do bem sobre o mal, da vida sobre a morte.

“Hoje, vemos a imagem da Cruz como um parto com a sua dor. Deus rasga as entranhas e dá a luz uma nova humanidade”, disse o Cónego Hélder Fonseca Mendes, frisando que “A criação e a história humana são muito boas, não fosse o nosso pecado, egoísmo e injustiça a estragá-las”.

E, por isso pediu uma vez mais aos cristãos que esse compromisso  “de dádiva” seja “integral”  e duradoiro porque o mistério desta noite deve realizar-se todos os dias e todos eles servem para reavivar o amor  aos outros.

“Por Hoje, nada está perdido: a misericórdia sobrepõe-se ao pecado, a bondade ao mal, a verdade à mentira, a luz às trevas, a liberdade à escravidão, a ressurreição à morte, o homem novo ao homem velho”, disse

“A ressurreição de Jesus renova tudo, dá sempre uma oportunidade, o dia de ontem não foi o último, a morte não tem a última palavra, o que não tem explicação passa a ter sentido. Este é que é o último e primeiro dia. A Última Ceia dá lugar à Ceia Primeira. Não se trata da vitória triunfal de uma batalha, mas de algo novo, como uma primícia, que tem algo de semente; o que é novo é sempre pequeno. Por isso a ressurreição é já para hoje. Acontece na humildade do que é pequeno e frágil, passando pelo sofrimento e pela morte” frisou ainda.

O Cónego Hélder Fonseca Mendes fez também uma analogia entre a expressão “arrebentar”, muito usada nos Açores dando inclusivamente origem a muitos nomes toponimicos em todas as ilhas, para sublinhar a importância central desta noite na vida da igreja e dos cristãos. Ela simboliza, de resto, o essencial da fé.

O Cónego Magistral da Sé falou de obras grandiosas, como “dar à luz”, num parto ou fazer uma grande obra.

“Que têm estas rebentações todas em comum? É que nenhuma delas se deve à vontade própria. Assim é também com a graça de Deus e com a força da ressurreição. Não somos nós que as merecemos. É Ele que no-las dá”.

A Missa de Páscoa, na Sé de Angra, será presidida por D. António de Sousa Braga este doimingo, a partir das 11h00, com transmissão televisiva em direto na RTP Açores.