“A paróquia é o lugar onde ninguém se deve perder”- D. Armando Esteves Domingues

No primeiro dia da visita pastoral a Ponta Garça, uma das cinco paróquias da ouvidoria de Vila Franca do Campo onde o bispo de Angra está desde sábado em visita pastoral, D. Armando Esteves Domingues destacou o valor espiritual dos doentes e a importância de uma Igreja próxima, durante a Eucaristia com administração da Santa Unção, sublinhando que “somos todos da mesma família”.
A visita pastoral de dois dias a esta comunidade começou com a celebração da Eucaristia, marcada pela administração do sacramento da Unção dos Doentes, num momento de forte significado para a comunidade. Na homilia, o bispo deixou uma mensagem centrada na fé, na esperança e na valorização dos mais frágeis.
“De cada vez que vimos à missa alimentamo-nos do Senhor”, afirmou, recordando que, mesmo quando “as pernas fraquejam”, Deus permanece presente, seja através dos profissionais de saúde, dos familiares ou dos cuidadores.
“Quem tem fé nunca passa fome nem sede e vive alegre”, acrescentou numa alusão ao evangelho proclamado esta quarta-feira.
Dirigindo-se diretamente aos doentes, o prelado questionou: “Quanto vale uma pessoa doente que se oferece ao Senhor? Não tem preço”. E reforçou: “Vocês são os que mais contribuem para a santificação desta paróquia”.
Num apelo à confiança, pediu aos fiéis que cultivem a alegria e a gratidão, sublinhando que “quando alguém sofre, Deus está perto” e que o sofrimento vivido com amor “torna tudo mais leve”.
O bispo incentivou ainda à atenção aos mais frágeis, lembrando que a paróquia deve ser “o lugar onde ninguém se perde e ninguém está só”. Nesse contexto, destacou o papel dos oito ministros extraordinários da comunhão, que levam a Eucaristia aos doentes, garantindo que todos se sintam incluídos e acompanhados.
Durante a celebração, houve também um apelo à oração pelas vocações e pelo ministério episcopal.
O pároco, padre Ruben Sousa, explicou que procurou envolver toda a comunidade, visitando as casas para assegurar a presença dos fiéis, numa paróquia estruturada com movimentos e serviços onde no ano de 2025 se celebraram 29 batismos e 32 óbitos registados e que ainda hoje irá viver a celebração do crisma de 53 jovens, números que refletem a vida ativa da paróquia.
A visita incluiu ainda o contacto com várias estruturas locais. O Centro Intergeracional da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo acolhe atualmente 41 crianças, desde bebés a crianças até aos três anos, a oferecendo também atividades de tempos livres e integrando projetos nas áreas das artes e novas tecnologias para as crianças em idade escolar funcionando com duas educadoras e oito auxiliares.
No campo do património, foi destacada a Capela de Nossa Senhora das Mercês, uma capela privada a onde se faz festa todos os anos em setembro, sendo mantida por uma comissão responsável pela sua preservação. Já a antiga Escola dos Frades, hoje espaço expositivo e catequético, preserva tradições locais e tem sido dinamizada com contributos da diáspora, nomeadamente do casal Susete e José Guerreiro, autores de um presépio sobre a vida da família de Nazaré e um outro painel expositivo que retrata a vida da comunidade de Ponta Garça nos seus ofícios e tradições ao longo dos anos. Trata-se de duas peças museológicas, feitas artesanalmente com figuras de pano e barro e elementos naturais que está aberto ao público sobretudo na época natalícia e é gerido pela Junta de Freguesia.
As tradições do Espírito Santo continuam vivas através dos vários impérios da freguesia, como o dos Aflitos, na Boavista, o de São João Batista e o da Praça, todos com irmandades ativas e forte envolvimento comunitário, que hoje mereceram também a visita do bispo de Angra.
A dinâmica juvenil também mereceu destaque, com a visita às instalações da associação juvenil Unojovens, uma IPSS, que envolve 119 jovens em atividades culturais, educativas e sociais, incluindo música, dança e apoio ao estudo, promovendo um desenvolvimento integral em articulação com a paróquia e instituições locais. Paralelamente no espaço desta associação funciona também o projeto piloto farol, em cooperação com a Santa Casa, e que ocupa senhoras na área da cozinha.
O bispo de Angra neste primeiro dia visita ainda alguns doentes acamados e terá encontro com os responsáveis da Junta de freguesia e Casa do Povo.
“Todos trabalhamos com pessoas e para as pessoas: a Igreja trata do espirito e as as instituições cuidam das condições de vida das populações”, referiu D. Armando Esteves Domingues sublinhando a “cooperação e a coordenação” que tem de haver entre todos para a promoção do bem comum.
Ao final do dia, o bispo de Angra presidirá à celebração do Crisma.
O primeiro dia da visita pastoral ficou marcado por uma mensagem de unidade, cuidado e valorização de todos os membros da comunidade, especialmente os mais frágeis, reforçando o papel da Igreja como espaço de proximidade e esperança.
Bispo de Angra reforça proximidade à comunidade no quarto dia de visita pastoral em São Pedro












