Por Igreja Açores

Às portas da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, no ano em que o Santuário celebra o 60º aniversário da sua elevação a Santuário diocesano, o reitor, Cónego Adriano Borges, destaca a missão para a nova evangelização dos santuários, e deste em particular.

Numa entrevista ao Igreja Açores, que pode ouvir este domingo no Rádio Clube de Angra, a partir do meio dia, e também aqui em podcast a partir dessa hora, o sacerdote lembra o lema de São Paulo- “Ai de mim senão evangelizar”- para lançar um desafio a todos os peregrinos.

“Jesus é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida; Ele faz-se ao caminho connosco, sofrendo e alegrando-se connosco e por isso devemos ser capazes de transmitir aos outros esta realidade” afirmou o cónego Adriano Borges.

A mensagem que deixa, seja para os que seguem as festas à distância seja para os que estarão presentes, é “de esperança e de confiança” porque “o Senhor nunca nos abandona”.

O sacerdote, que é um dos mais novos reitores deste santuário diocesano, assim designado por decreto do bispo de Angra a 22 de 1bril de 1969, sublinha ainda os investimentos que estão a ser feitos para que o Santuário possa aprofundar a sua capacidade de acolhimento nas diferentes dimensões: espiritual, que já faz, mas também na dimensão social. Para isso vão ser feitas obras em zonas do convento que estão atualmente desocupadas e que servirão para acolher peregrinos mas também doentes deslocados que precisem de estar durante um período determinado para os tratamentos em São Miguel.

“Nós vamos ter uma vertente humana e social muito importante. Uma parte do convento, onde antigamente as jovens que vinham estudar ficavam, vai ser convertida em quartos para os peregrinos e para doentes deslocados de outras ilhas, sempre com acompanhamento e proximidade” esclarece o reitor que espera contar com o apoio de voluntários para cumprir esta dimensão social do Santuário.

“São obras avultadas e o Santuário precisará da ajuda de todos”, precisa o Cónego Adriano Borges que para já avança com a obra mais imediata e que será a recuperação de toda a cobertura da igreja do Convento que se encontra infestada de térmitas.

“Todo o corpo da igreja vai ter um telhado novo” refere lembrando que já nestas festas, quem nelas participar, poderá observar o resultado da última grande intervenção feita desde o verão passado : a recuperação do telhado do coro alto e dos seus retábulos.

São obras que “eram urgentes” porque se trata “de um património de enorme valor” e o Santuário deve “zelar pela preservação deste património que é também regional e por isso deve contar com o apoio de todos”.

“O Santuário é um precioso auxílio para a vida da diocese, em particular para o Seminário Episcopal e para os alunos que estudam em Roma” e, “naturalmente que sozinhos não poderemos fazer todas as obras que o espaço requer, necessitando do apoio do Governo pois estamos a falar em obras que rondam os 8 milhões de euros”.

Já em agosto haverá uma campanha de angariação de fundos junto da diáspora açoriana no continente americano, onde se encontram muitos devotos do Senhor Santo Cristo, que habitualmente já são “muito generosos”, refere ainda o reitor.

Na entrevista ao Igreja Açores, o reitor do Santuário lembra ainda o programa celebrativo deste 60º aniversário e do empenho que está a fazer para construir pontes. Muitas das iniciativas destes 60 anos de elevação a santuário diocesano têm decorrido de forma descentralizada, procurando ser um contributo para um trabalho conjunto com as estruturas territoriais organizadas- paróquias e ouvidorias- e assim ser um agente ativo deste caminho sinodal que a igreja açoriana está a começar.

Além das conferências sobre as várias dimensões da pastoral de um santuário- a litúrgica, a eucarística, a da fragilidade e a da catequética, associada à espiritualidade cristológica- o Santuário vai ainda promover um simpósio de três dias onde vários oradores irão abordar temáticas da religiosidade popular sublinhando a dimensão trinitária associada de forma tão especial à religiosidade açoriana, nomeadamente através do culto ao Divino Espírito Santo.

As festas do Senhor Santo Cristo começam no dia 24 com a habitual conferência de imprensa de apresentação da capa que a imagem irá envergar nos dias das procissões- sábado e domingo- e a apresentação do selo comemorativo dos 60 anos de elevação do Santuário. à noite haverá a abertura das luzes na fachada da Igreja e do Convento, numa celebração no adro, presidida pelo bispo de Angra.

Sábado, dia 25, as atenções viram-se para o Campo de São Francisco onde decorre a procissão da mudança da imagem, durante a qual milhares de peregrinos cumprem as suas promessas. É nesta altura que a imagem é entregue à Irmandade pelas irmãs religiosas de Maria Imaculada. A irmandade do Senhor Santo Cristo será a guardiã da imagem nas 24 horas seguintes, sendo responsável por todas as celebrações, nomeadamente, a mudança da imagem do convento para a Igreja de São José, à noite, para a vigília de oração e depois pelo seu regresso ao Convento para a Missa Campal de domingo. Segue-se a Procissão solene pelas principais ruas de Ponta Delgada, passando por todas as ermidas e conventos do Centro histórico da cidade, num percurso que demora sensivelmente quatro horas a ser feito. A procissão termina no campo de São Francisco e nessa altura a Imagem é “devolvida” às irmãs que zelarão por ela durante todo o ano, ficando exposta no Coro Baixo do Convento da Esperança.

As festas do Senhor Santo Cristo são as mais importantes festas religiosas dos Açores e uma das maiores manifestações de fé em Portugal.