Anabela Borba é a convidada do programa Igreja Açores deste domingo

A pobreza continua a ser dominante nos Açores e a responsabilidade de lutar contra ela é de todos, incluindo dos próprios pobres, afirma Anabela Borba, a responsável pela Cáritas regional da diocese de Angra.

“Os caminhos são de facto um grande desafio para este ou para qualquer governo” porque após a autonomia continuamos a ser a região mais pobre do país, com mais pobreza e menos desenvolvimento”, a firmou a responsável ao programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo a partir do meio dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.

“ A pobreza serve para alimentar frases bonitas num discurso, sobretudo quando anunciamos a intenção de que vamos fazer mais”, frisou ainda Anabela Borba sublinhando que considera haver boa vontade das autoridades mas pouco empenho da sociedade civil, incluindo dos próprios pobres.

“ Acredito que haja boa vontade, que se trabalha para que as coisas dêm certo, mas a verdade é que não se acerta. Temos a precariedade, baixos salários… encontramos muitos jovens com pouca perspetiva e com pouca vontade” diagnostica Anabela Borba.

Por outro lado, os pobres acomodam-se e fazem pouco para que as coisas se alterem. “Continuamos com índices de pobreza muito altos e desenvolvimento muito baixo; os pobres são pouco reivindicativos” frisa Anabela Borba.

Durante a entrevista Anabela Borba fala ainda das diferentes Cáritas de ilha, na sua maioria vivem do voluntariado e têm ações esporádicas, e da realidade das Cáritas de São Miguel, centrada na ação em defesa dos sem abrigo e por outro lado a Cáritas da ilha Terceira que tem centrada a sua atenção sobre os jovens criando projectos ao nível da empregabilidade.

Anabela Borba acaba de participar no Conselho da Cáritas portuguesa, que se realizou em Fátima, no fim de semana passado, e lamenta que os pobres continuem a incomodar as pessoas.

“Os pobres incomodam-nos seja porque achamos que não fazemos o suficiente seja porque achamos que eles usufruem de benesses que nós não temos. Não é fácil estarmos com os pobres e não é fácil muitas vezes estarmos com as pessoas, quando as pessoas também não querem estar connosco” conclui a dirigente que acumula a presidência da Cáritas diocesana com a da Cáritas da ilha Terceira.