Bento XVI renunciou ao pontificado há oito anos, um gesto histórico, mantendo uma vida reservada no antigo Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano, de onde saiu para despedir-se, em 2020, do seu irmão mais velho, que viria a falecer.

O sucessor de São João Paulo II anunciou a sua renúncia ao pontificado a 11 de fevereiro de 2013, uma decisão que surpreendeu os cardeais reunidos para um consistório público ordinário, destinado a definir datas de canonização.

A última renúncia ao pontificado tinha acontecido em 1415, com a resignação do Papa Gregório XII (induzida pelo Concílio de Constância).

O Código de Direito Canónico, prevê a possibilidade jurídica de renúncia por parte do Papa e esta renúncia não precisa de ser aceite por ninguém para ter validade, como indica o Cânone 332.

O que se exige é que o Papa renuncie livremente e que manifeste a sua decisão de modo claro e público.

“Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos cardeais em 19 de abril de 2005”, declarou Bento XVI, a 11 de fevereiro de 2013.

O Papa emérito vai completar 94 anos de idade a 16 de abril; embora persistam incertezas quanto aos dados dos pontificados dos primeiros séculos, Bento XVI seria agora o pontífice mais velho da história, ultrapassando Celestino III (1105-1198) e Leão XIII (1810-1903), que faleceram aos 93 anos.

No último dia 14 de janeiro, Bento XVI foi vacinado contra a Covid-19, partilhando a “preocupação com a pandemia”, disse o seu secretário particular, em declarações ao portal de notícias do Vaticano.

D. Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, sublinhou o impacto do primeiro Natal que o Papa emérito viveu sem o seu irmão, mons. Georg Ratzinger.

O arcebispo alemão referiu que Bento XVI está fisicamente frágil, mas lúcido.

A 18 de junho de 2020, o Vaticano anunciou que o Papa emérito se tinha deslocado à Alemanha, para acompanhar o seu irmão, de 96 anos, naquela que foi a primeira vez que deixou a Itália desde a sua renúncia ao pontificado.

Monsenhor Georg Ratzinger viria a falecer no dia 1 de julho.

Um mês depois, D. Georg Gaenswein reagiu a rumores sobre a saúde do próprio Bento XVI, afirmando que o Papa emérito tinha uma doença “dolorosa, mas não grave”, descartando uma situação de “particular preocupação”.

Antes, no início de maio, chegou ao público uma biografia do Papa emérito Bento XVI, que aborda a vida de Joseph Ratzinger ao longo de mais mil páginas, incluindo uma entrevista inédita que fala em “ditadura mundial” de um credo anticristão.

Em passagens da conversa com o jornalista Peter Seewald, autor de várias entrevistas a Joseph Ratzinger, o Papa emérito alerta para o impacto de “ideologias aparentemente humanistas”, lamentando que alguns o queiram “calar”, fruto de uma “distorção maligna da realidade”.

O livro ‘Bento XVI – Uma Vida’ destaca a amizade do Papa emérito com o seu sucessor, Francisco, sublinhando que apesar de polémicas que os queriam colocar em campos opostos, a relação “não apenas persistiu, como cresceu”.

O Papa Francisco e um grupo de novos cardeais visitariam Bento XVI a 28 de novembro, na sua residência, após o Consistório público que decorreu no Vaticano.

(Com Ecclesia)