A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pediu às autoridades que evitem o encerramento de cemitérios, por ocasião da homenagem que habitualmente se realiza na celebração de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, momento de “intensa piedade dos fiéis católicos”.

“É certo que não depende da Igreja a gestão da grande maioria dos cemitérios nacionais. Confiamos, porém, que as autarquias e entidades que os tutelam saberão interpretar as exigências do bem comum encontrando um justo, mas difícil equilíbrio entre os imperativos de proteger a saúde pública e o respeito pelos direitos dos cidadãos”, indicou um documento do Conselho Permanente da CEP, intitulado ‘Avivar a chama da esperança’, no passado dia 12.

O Conselho de Ministros aprovou um decreto que declarou o dia 2 de novembro como dia de luto nacional, em Portugal, “como forma de prestar homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia”.

O Governo anunciou ainda a proibição de circulação entre concelhos de 30 de outubro até 3 de novembro.

Os bispos admitem que, dado o estado atual da pandemia, “é sensato que se imponham medidas suplementares de proteção”, como a obrigatoriedade do uso de máscaras e o controlo do número de visitantes, mas consideram que “não seria apropriado o encerramento completo dos cemitérios”.

A nota destaca que “não se adoece apenas de COVID-19”, para referir que “a impossibilidade de exprimir de forma sensível e concreta saudades e afetos também é causa de sofrimento e de doença”, lembrando as “muitas famílias enlutadas neste período nem sequer puderam acompanhar adequadamente os seus entes queridos em exéquias muitas vezes celebradas, como diz o Papa Francisco, de um modo que fere a alma”, assinala a CEP.

“Para diminuir ocasiões de maior aglomeração de pessoas, recomendamos aos párocos que considerem nestes dias, em coordenação com as autoridades locais, a possibilidade de celebrar a Eucaristia nos cemitérios”, pediu ainda a CEP.

No dia 14 de novembro, às 11h00, na Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima, a Conferência Episcopal vai celebrar uma Eucaristia de sufrágio pelas vítimas da pandemia em Portugal.

O Papa Francisco vai celebrar a Missa no Campo Santo Teutónico, cemitério no Vaticano, de forma estritamente privada, no dia 2 de novembro, pelas 16h.

Na conclusão, Francisco irá se deter em oração no cemitério, depois irá às Grutas Vaticanas para prestar homenagem aos Pontífices falecidos.

No dia 5, às 11 horas (hora de Roma), o Papa vai presidir à celebração, no Altar da Cátedra na Basílica do Vaticano, por sufrágio dos cardeais e bispos que faleceram durante o ano.

(Com Ecclesia)