Por Monsenhor José Medeiros Constância

A ideia da celebração de um Sínodo Diocesano nos Açores colocou-se várias vezes e pelo menos duas de uma maneira especial e relevante.

Acontecimento inevitável, tem sido adiado, para que se criem as condições básicas para que ele não seja um mero evento diocesano.

Nos últimos anos, acelerou-se a Sinodalidade com o pontificado do Papa Francisco como caminho para a Igreja Universal e por indicação do nosso Bispo D. João Lavrador, na nossa Diocese, entramos no início do ano de 2019/2020 na Caminhada Sinodal que, em tempo oportuno, nos levará á Celebração do Sínodo Diocesano, o segundo a realizar na história da nossa Igreja Local.

Mas dado que estamos em caminhada sinodal que não foi fácil no seu início, que tem as suas dificuldades de compreensão e de realização, aqui deixo três reflexões breves com as perguntas:- Porquê?, Para quê? e Como? compreender e viver a nossa Caminhada Sinodal Diocesana.

Caminhada Sinodal : Porquê?

Primeiro porque à base da Bíblia e do início da Igreja e como dizem os Santos Padres Igreja é sinónimo de Sínodo.

A Sinodalidade retoma, pois, o início fundamental da mesma Igreja.

Sinodal significa «caminhar com». Em Grego «sin» é «com» e «odós» é caminho. Igreja Sinodal não é simplesmente uma Igreja que faz Sínodos e reuniões.

A Igreja é sinodal na totalidade dos seus membros, todos e todas «caminham com Jesus» no mesmo caminho, que é a construção do reino de Deus.

Caminhada Sinodal porque toda a Igreja que já vinha desde o Concílio neste caminho com os muitos Sínodos realizados; a partir do Papa Francisco entrou numa Sinodalidade mais explícita, participada, decisiva e decidida, sobretudo com os Sínodos da Família, dos Jovens e da Amazónia.

Caminhada Sinodal porquê? Porque com o convite para a realização do Sínodo dos Bispos em 2022 que será mesmo sobre a Sinodalidade, somos convidados a compreender e a aprofundar a Sinodalidade.

As razões eclesiológicas e pastorais apresentadas fundamentam assim a nossa caminhada sinodal, que não é uma moda, mas sim o caminho da nossa Igreja, nestes anos, nesta década de 2020 e na reta final que nos vai levar à celebração dos quinhentos anos da vida da nossa Diocese.

Caminhada Sinodal : Para quê?

A finalidade da Sinodalidade que a Caminhada Sinodal concretiza é no dizer do Papa a Evangelização.

Realizamos a nossa Caminhada Sinodal, cada dia, cada semana, cada mês, cada ano, nas diferentes instâncias da diocese para evangelizarmos melhor hoje as nossas ilhas.

A proposta evangélica traduzida na proposta cristã, feita pela Igreja num mundo como o nosso em franca mutação e numa grande incerteza post-pandemia; tem como finalidade um trabalho de conjunto e concertado, para que o Evangelho tenha seguidores hoje e transforme cristãmente este mundo.

A Caminhada Sinodal dá-se para que vencendo egoísmos pessoais, clericalismos exacerbados, paroquialismos vaidosos e protagonismos artísticos, entremos todos, num trabalho com o testemunho daquilo que a Igreja é.

Caminhada Sinodal: Como?

Antes de mais não se dará nenhuma Caminhada Sinodal se não houver uma conversão a esta mentalidade e estilo de trabalho em conjunto, o como implica conversão pastoral.

O Papa Francisco e outras vozes autorizadas vêm pedindo à Igreja a sua conversão sinodal. Porém, pouco ainda se vê. Muitos não sabem do que é que se está falando, ou não querem saber.

Porém, a rapidez da Pandemia mudou tudo. É uma época de mudança, favorável á conversão sinodal e a uma mudança urgente.

Edgard Beltran diz  isto mesmo num artigo intitulado: «a rapidez da pandemia é exemplo para uma urgente conversão sinodal».

O vírus atingiu todos os povos do planeta. O pior deste vírus é a rapidez vertiginosa do seu contágio. A rapidez da pandemia mudou tudo. Que a rapidez da difusão deste vírus nos dê um toque para mudar tudo e todos neste estilo sinodal na nossa Igreja que é toda sinodal.

A nossa Caminhada Sinodal que neste primeiro ano, examinou a realidade e apontou ou fez propostas, levar-nos-á nos próximos anos a aterrarmos em respostas de mudança de uma Igreja que está num mundo com feridas e problemas e em como que “desempregada” tem de ser neste mundo dos Açores samaritana comunitária e participativa.

No próximo trabalho analisaremos as dificuldades reais que a nossa Caminhada Sinodal encontrou e encontra.

*Monsenhor José Medeiros Constância é o assistente diocesano da pastoral da Familia há 8 anos. Este é o terceiro de cinco artigos sobre este assunto