“Estamos aflitos, preocupados e tristes com a situação que vivemos agora, ainda que nos pareça longe, nada hoje é longe (…) A guerra parece longe mas está próxima”, refere Administrador Diocesano, que presidiu à Missa que teve como intenção especial o regresso da paz à Ucrânia

A comunidade ucraniana residente em Angra do Heroísmo foi convidada este domingo a participar na Missa da Sé para, em comunhão com os católicos açorianos, rezar pelo regresso da paz à Ucrânia.

“Hoje somos chamados pelo Senhor à verdade de nós próprios antes de falarmos de alguém, à abundância do nosso coração, enchendo-o de paz e de bem e vamo-nos sentar à mesma mesa, alimentando-nos da Sua palavra e do Seu corpo, do Seu sangue e da Sua vida. Fazemo-lo em cada domingo uns com os outros, mas hoje de uma forma muito especial , pela paz e justiça no mundo em comunhão com os irmãos ucranianos, uma vez que estamos aflitos, preocupados, tristes com a situação que vivemos agora, ainda que nos pareça longe nada, hoje, é longe”, começou por referir o Administrador Diocesano que presidiu a esta celebração dominical, em que a comunidade ucraniana presente cantou um cântico a Nossa Senhora pela paz e, na altura do Pai Nosso a assembleia, que “enchia excecionalmente a Sé”, rezou o Pai Nosso em silêncio enquanto os ucranianos o rezavam em alta voz na sua própria língua.

“Quando começou o covid parecia que era muito longe, na China, afinal está próximo de nós. Hoje, a guerra parece longe mas está muito próxima de nós, não só do ponto de vista geográfico mas do ponto de vista afetivo e, por isso, pedimos aos irmãos ucranianos que vivem connosco que se juntassem nesta oração e quero dar-lhes uma palavra de conforto. Falei já com alguns ontem e vi a sua preocupação porque têm lá os seus irmãos, os seus pais, os seus familiares, parentes os colegas de escola e, portanto, se nós vivemos esta aflição eles vivem-na de uma forma redobrada a cada minuto que seguem pela televisão ou pela internet enquanto isso ainda for possível”, prosseguiu o cónego Hélder Fonseca Mendes no inicio da celebração.

“ Vamos rezar todos juntos e vamos fazer união de fé, de esperança e de amor pedindo ao Senhor que nos livre deste horror da guerra e que nos devolva a paz e que ela habite em cada um” exortou o sacerdote.

Os ucranianos presentes, ainda num número considerável, traziam uma fita na lapela com as cores da Ucrânia e a bandeira nacional da Ucrânia que depuseram junto ao lugar onde se encontravam na assembleia, num momento muito forte de oração e amizade.

A Diocese de Angra junta-se ao apelo do Papa para na próxima quarta-feira, inicio da Quaresma, com a imposição das cinzas, se faça uma jornada de oração e jejum pela paz na Ucrânia.

Partindo da passagem do Evangelho lida nas celebrações deste domingo, nas igrejas de todo o mundo, o cónego Hélder Fonseca Mendes alertou para a tentação de estar muito atento aos defeitos dos outros, negligenciando os próprios.

“Muitas vezes um juízo que dirijo sobre outra pessoa diz mais de mim do que dela” afirmou o sacerdote afirmando que “não necessitamos de estar a julgar e condenar para fora como se fosse essa a nossa tarefa, nem de nos flagelarmos a nós próprios(…). O evangelho apela-nos à necessidade de autocrítica antes de fazer qualquer juízo ou condenação sobre o outro, pois a nossa tendência é de intransigência para com os outros, e benevolência ou tolerância para connosco próprios”.

“A única crítica credível nasce de uma autocrítica. Escondemos os nossos defeitos, inclusivamente de nós mesmos, e fica caminho aberto para ver os defeitos dos outros. Antes de condenar os defeitos dos outros, devemos olhar para dentro de nós e a humildade em nós próprios far-nos-á entender melhor a humanidade do outro. Então, poderemos agir de modo credível, com humildade, testemunhando a verdade na caridade”, concluiu o sacerdote.

Durante a homilia, o Administrador Diocesano criticou, ainda, o “murmúrio” e a “maledicência” que pode destruir uma “família, uma sala de escola, um local de trabalho, um bairro ou uma freguesia e aí por diante”.

“Assim nascem as guerras, nascem sempre de dentro para fora. Não há estruturas, nem sistemas culpáveis, mas pessoas responsáveis em primeiro lugar, isto é, em primeira pessoa. O mal não vem de fora para dentro mas de dentro para fora”, concluiu exortando à conversão.

“A palavra boa é a palavra humilde, que tem a coragem da verdade e não oculta a realidade, que requer que se deixe a cegueira, isto é que tome consciência da trave que está no próprio olho”.