Por Renato Moura

O título é do livro da autoria de Aurélia Armas Fernandes e Manuel Fernandes, editado em 2006. Tive a honra de o apresentar, numa festa do Divino Espírito Santo. E que razão me levará a recordá-lo?

A autora é florentina, o co-autor, seu marido, é continental, mas conhecedor e apreciador das festas do Espírito Santo, que considera “cheias de fraternidade, alegria e fé” e com “riqueza cultural, humanitária e religiosa”.

O prefácio é do P.e Caetano Tomás, um doutorado da Igreja, professor, também autor e distinto florentino; agora da pena dele me socorro, transcrevendo: “Note-se a riqueza que eles vão buscar à Antiguidade, em especial ao Antigo Testamento – o Pentecostes, o Dom de Deus, os Sete dons do Espírito Santo, os Seus frutos, os símbolos, as insígnias, as dignidades, a coroa, o ceptro, as varas, as bandeiras, os carros, as coroações, as origens das Festas – tudo iluminado pela luz da espiritualidade e do Divino”.

A autora, no intróito, confessa ter tentado: “Abordar tudo o que se me oferecer relativamente a tão carismáticas festas que, conjugando o factor religioso com a tolerável e até desejável (porque muito importante, desde que ‘em respeito’) componente de índole profana, aproximam, em sincera cordialidade, num franco espírito de confraternização, todos os estratos sociais”. E o objectivo foi claramente atingido ao longo das quase 600 páginas da obra.

Volto ao livro, uma dezena de anos depois, pois creio que o espírito das festas do Divino Espírito Santo já não é o que era. Sinto que esta gente nova já não recebeu a dádiva do que no livro se enquadra como “Encanto das lendas, milagres e sinais do Espírito Santo”, que fortificaram a fé dos que já não são novos e dos seus antepassados. A televisão desvaneceu quase todos os valores da transmissão oral, riquíssimos de conteúdo formativo e cultural; e as novas aquisições tecnológicas roubaram o que restava.

A fé na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a celebração das festas em Sua honra, nas componentes de profunda religiosidade, partilha fraterna e alegre festividade, distinguem indelevelmente o povo açoriano e marcaram profundamente a história de cada uma destas ilhas. E os alunos das nossas escolas têm direito a conhecer todos os factos que marcaram a história dos Açores.

A obra a que vimos aludindo é um contributo valioso, não apenas pelos temas incontornáveis que aborda, como pelos conhecimentos que transmite e guarda para a posteridade, mas também por ser não só aliciante como acessível a qualquer leitor.