Por Renato Moura

Na segunda quinzena de Setembro ocorreram dois factos importantes para a Igreja das Flores: a partida para o Seminário do Mário Jorge e a tomada de posse do P.e Nuno Fidalgo como pároco in solidum da Ouvidoria.

O jovem da Fajã Grande é um dos quatro que entraram para a casa de formação de Angra. Há muito que participava activamente na vida da Igreja, principalmente como acólito e leitor. Deu agora um passo, que não lhe tolhe a liberdade futura, mas é um acto de coragem e de resposta ao chamamento, que cresceu ao longo dos anos, com abertura e oração, também apoio da família, da paróquia e da ouvidoria.

Numa ilha tão pequena, que em 2017 viu ordenar-se o Jacob Pimentel, é sinal de alegria ver que continuam a crescer vocações sacerdotais, como aliás sempre aconteceu. A ilha das Flores sempre deu à Igreja muitos e bons padres, felizmente muitos deles ainda vivos e considerados, exercendo o seu múnus não só nos Açores, alguns ocupando cargos muito elevados e decisivos na vida da Diocese.

O Mário Jorge beneficiará da fase importante em que o Seminário anuncia investir num melhor e mais personalizado acompanhamento dos seminaristas e da aposta no reforço das componentes académica e pedagógica, nomeadamente através do uso das novas tecnologias, que assegurarão o contributo de professores não residentes.

O P.e Nuno Fidalgo toma em mãos uma tarefa numa ilha pequena, bem diferente da que o viu nascer e daquela onde se formou. Ordenado há meses, tem pela frente o desafio de trabalho em grupo, de vida em comunidade com outros párocos, de trabalho em mais de uma dúzia de localidades, cada uma com as suas características marcadamente próprias.

Obviamente que o Bispo o escolheu reconhecendo-lhe capacidade e não apenas por compreender e ceder ao pedido, a vários níveis formulado, de enviar mais um padre, que fosse jovem e capaz de se adaptar à pastoral in solidum, um projecto inovador frutuoso, que se solidifica, importa prosseguir e se vai replicando noutras ilhas.

O P.e Nuno tem-se apresentado à comunidade de forma humilde, afável, mas esclarecida. Tem feito lembrar que os sacerdotes têm um papel na Igreja, mas que não são eles a comunidade cristã, que esta envolve os leigos e nem pode excluir os não cristãos.

Na verdade, para os sacerdotes, cumprir a palavra de Jesus, é, como Ele fez, não excluir ninguém, confiar e dividir responsabilidades, conforme os talentos de cada um. Por sua vez os leigos não se podem eximir de assumir os encargos de que sejam capazes. E o sucesso é fruto deste equilíbrio.