“A missão constitui o segredo pastoral do Papa”

Há dois anos atrás num intervalo entre aulas na universidade ao final da tarde, chegava-me a pouco e pouco ao telemóvel o parto de uma alegria pela qual todos nós esperávamos há já quase dois dias. Era um dia ventoso e chuvoso; primaveril. Suspeito de mudança. Um dia histórico – não querendo ser pretensioso ao afirmá-lo.

Apareceu por fim na varanda central da Basílica de São Pedro, vindo quase do fim do Mundo, aquele que era para nós o novo Papa. Mário Jorge Bergoglio, Cardeal de Buenos Aires. Um Jesuíta que adota Francisco para ser o seu nome, o Sucessor de Pedro. Para trás fica um Pontificado caracterizado pela humilíssima ação de renúncia, a contrastar com o génio intelectual de um homem admirável: Bento XVI.

Nos meus vinte e poucos anos tive a felicidade de poder admirar três pontificados. Todos eles admiráveis. Cada um pelos seus devidos motivos é claro, mas também duas fantásticas oportunidades de experimentar a universalidade da Igreja de Cristo, da atualidade das palavras de Cristo a Pedro e de ver e rever que esta Igreja apesar de ser constituída por Homens, é santa e fiel à ação do Espírito que sopra onde e quando quer.

Os meios de comunicação a par e passo deixavam transparecer um novo tempo na Igreja. Desenhavam um Papa pouco habituado ao protocolo e às questões Vaticanas.

Depois vieram as primeiras ações, gestos e palavras. Francisco inova pela forma de fazer e dizer. Se com Bento XVI a Fé e a Razão haviam caminhado lado a lado, com Francisco aprendemos, na prática, que os nossos sentidos são a alfândega de um coração que deve ser profundamente Cristão, unido ao de Cristo: autêntico. A Igreja virou-se para a periferia. Para a sua própria periferia. A missão constitui o segredo pastoral do Papa que se diz “um pouco pároco”.

Em Santa Marta o Mundo parece acordar com a sede das palavras de um pastor que sabe bem que a fé é sempre um diálogo entre mendigos. Entre aqueles que buscam Deus da melhor forma que sabem. Destas questões entende bem Francisco que parece arrumar a casa a partir de fora, com uma verticalidade que a muitos desconcerta, coadunando-se com um propício diálogo inter e intra religioso.

Quanta riqueza é para a Igreja, e para nós em particular, podermos viver este governo tão belo e tão próximo, de uma Igreja que consolida o Vaticano II. Uma Igreja que vive e testemunha a plena comunhão entre dois Papas com percursos e Pontificados tão distintos e tão próximos naquilo que é essencial e verdadeiramente importante.

Dois anos volvidos, está a ser consolidado um pontificado bem característico. Um tempo de acolhimento aos mais pobres e pequenos da sociedade hodierna.

Infelizmente talvez será igualmente recordado como um tempo de feroz perseguição aos Cristãos no Médio Oriente e no Mundo em geral… Uma geração onde o sangue anónimo dos novos mártires urge continuar a ser fermento de um discipulado que sabe bem que o Cristianismo é uma pessoa: Jesus, que nos continua a dizer «sem mim, nada podeis fazer» Jo. 15,5.

Oremos pelo nosso Pontífice Francisco.

 

Nuno Pacheco de Sousa, Seminarista e coordenador do Portal Cristo Jovem