Assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz analisa oito anos deste pontificado, marcado pela “proximidade aos mais pobres e frágeis”

A abertura ao mundo é uma das marcas de muitos dos papas que atravessaram o século XX, desde João XXIII a João Paulo II, Paulo VI ou até mesmo Bento XVI, mas nenhum se aproximou tanto dos mais pobres e dos mais excluídos como o Papa Francisco afirma o padre José Júlio Rocha, numa breve análise aos oito anos de pontificado do Papa Francisco que se assinalam este sábado, dia 13 de março.

“A proximidade aos mais pobres e carenciados é o grande exemplo deste pontificado. Os sinais que o Papa dá são profundamente humanos: mostra-nos sempre um Jesus próximo, que está no meio de nós”, afirma o sacerdote que é o assistente da Comissão Justiça e Paz.

“Este pontificado fica marcado pela globalização do amor e da paz”, diz o sacerdote lembrando as várias viagens e mensagens deixadas ao mundo.

“O novo olhar que trouxe, mais pastoral e missionário, como os sucessivos gestos de lava-pés a reclusos, a uma muçulmana ou a pessoas de outras raças, é um sinal claro de abertura da Igreja ao mundo, uma igreja no seu vigor”.

“O Papa não vai aos lugares em busca da multidão, vai aos lugares onde há grandes problemas, onde deixa sempre uma grande mensagem” refere ainda ao destacar as semelhanças entre Francisco e Francisco de Assis, “que não tinha medo de nada; que mudou a Igreja por dentro. O Papa Francisco é, atualmente, o grande líder da Paz mundial”, conclui o sacerdote numa análise que “será sempre injusta pois há tantas coisas a lembrar e a reter deste Papa”.

No que respeita às reformas da Igreja, “algumas muito dolorosas” como a pedofilia ou a corrupção, elas “estão a ser feitas mas o Papa Sabe que não as consegue terminar”, salienta o sacerdote.

“Não fez tudo, não vai ter tempo para o fazer mas abriu caminho e agora tudo depende de quem lhe suceder se continua ou se para. Espero que haja uma continuidade e que o próximo Papa continue as reformas da Igreja; pará-las é ficar no meio do caudal do rio sem saber ou estamos” afirma o padre José Júlio Rocha.

“São reformas profundas mas necessárias, mas o que Francisco já desenvolveu é muito mais do que isso é a reforma na própria forma da Igreja estar presente no mundo”.

Em declarações ao Igreja Açores, que pode ouvir na íntegra no programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo, ao meio-dia, no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores, o sacerdote, doutor em Teologia Moral, faz uma leitura da recente viagem de Francisco ao Iraque.

“Esta visita é sobretudo carregada de um simbolismo enorme tendo em conta o mundo tal como ele está. É preciso dizer que Francisco cumpre um desejo do papa São João Paulo II, que nunca conseguiu ir a esta zona e que sempre se insurgiu contra a segunda guerra do Iraque, que acabou por determinar um vazio de poder que origina o crescimento do Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico que transforma o Iraque numa terra mártir”, lembra o padre José Júlio Rocha.

“Francisco vai ao Iraque porque quer estar junto da Igreja que sofre” refere lembrando que a marca desta visita é a “do diálogo pela paz”, sem o qual “tudo fica ferido de morte”.

O encontro entre Francisco e Al-Sistani é para o padre José Júlio Rocha um sinal claro de respeito e tolerância.

“Pertencer a uma religião odiando ou desprezando as outras é uma atitude errada e hipócrita até diante da nossa fé” sublinha insurgindo-se contra os que criticaram a visita do Papa e que o acusam de estar próximo da heresia.

“Tudo o que ele faça está sempre sujeito a escrutínio” refere mas o mais importante é que “Francisco é um sinal para a humanidade”, sobretudo “num tempo em que faltam líderes que dialoguem em vez de cimentarem o tribalismo”, frisa.

A análise ao Pontificado de Francisco, o papa Argentino eleito em 13 de março de 2013, o 266º Papa da Igreja Católica Romana, pode ser ouvida no programa de rádio Igreja Açores este domingo, ao meio-dia, na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra.