Padres Adriano Borges e Marco Martinho participaram no XI Encontro Anual da Associação de reitores de Santuários de Portugal

A dinâmica festiva dos santuários diocesanos dos Açores é  propícia à criação de um roteiro próprio e por isso há condições objectivas para uma ação concertada desde que haja vontade de todos, referiu esta manhã ao Igreja Açores o Pe. Adriano Borges, reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres que participou no Encontro Nacional de Reitores dos Santuários Portugueses em Fátima.

O sacerdote, que há dois anos lidera o maior santuário açoriano, considera que uma das prioridades é devolver aos santuários esta noção de lugar de peregrinação e de oração.

Nos Açores existem cinco santuários- Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada; Serreta e Conceição na Terceira; Bom Jesus no Pico e Santo Cristo da Caldeira, em São Jorge- e dois deles têm também estatuto de paróquia.

O sacerdote lembra que este facto faz com que o pároco e os próprios peregrinos não pensem o Santuário da forma como ele deve ser pensado, a não ser na altura da festa.

“Infelizmente pelo menos dois santuários são também paróquias e os reitores são também os párocos, que só assumem a reitoria quando se realiza a festa. Isso levanta problemas até para os próprios peregrinos e o que prevalece para os fieis é a vida da paróquia e não do Santuário” refere o sacerdote.

“Seria necessário revitalizar esta noção de Santuário e aí contruirmos, de acordo com orientações diocesanas,  um programa especifico para os peregrinos locais, da diáspora e outros que nos visitam e dar-lhes (aos santuários) a dignidade e o estatuto que merecem”, acrescenta ainda.

“Os nossos santuários têm muitas potencialidades mas terão muitas mais se houver uma ação concertada de todos” disse por outro lado, lamentando nunca ter havido nos Açores um encontro anual de reitores dos santuários onde se pudesse pensar um itinerário espiritual comum, respeitando sempre as especificidades e necessidades de cada um dos santuários.

“Era importante que os reitores se reunissem”, concluiu salientando o esforço conjunto que está a desenvolver com o reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus do Pico, cuja festa se celebra no dia 6 de agosto.

“Há um ano que definimos que o tema da festa seria o mesmo e temos vindo a trabalhar nesse sentido. Poderíamos alargar este primeiro passo a outros santuários” referiu, por seu lado, o reitor do Santuário Picoense, Pe. Marco Martinho.

A criação de um roteiro de Santuários é de resto, uma pretensão antiga do sacerdote que já por diversas vezes desafiou os restantes colegas a darem esse passo.

“Os santuários são lugares de peregrinação, de encontro, de oração e de misericórdia e a partir desta matriz comum devemos pensar em estratégias comuns”, destacou o sacerdote salientando que os santuários devem ser lugares de misericórdia por excelência, onde se “promove a oração mas também o encontro com Deus e com o irmão”, através da celebração do Sacramento da Reconciliação.

A vertente evangelizadora é, de resto, apontada, por ambos os sacerdotes como uma das missões mais importantes dos santuários.

“Esta grande mudança que o Papa fez, com um sentido muito especial, coloca a responsabilidade da Evangelização na direção dos santuários” sem que com isso se substitua o papel da paróquia ou da diocese.

O reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo lembrou iniciativas como o estudo da palavra de Deus, com os Encontros com a Bíblia, como um exemplo do aprofundamento do estudo e da divulgação da palavra a partir dos santuários.

“Eles são espaços de peregrinação e de oração e nós como reitores temos grandes desafios pela frente para concretizarmos esta missão”, disse ainda o pe. Adriano Borges.