D. José Saraiva Martins, que presidiu à Congregação para a Causa dos Santos, explica sentido da celebração anual

A solenidade litúrgica de Todos os Santos, que a Igreja celebra anualmente a 1 de novembro, assinala a santidade ‘anónima’ de católicos e católicas ao longo da história, como explica D. José Saraiva Martins.

O cardeal português que presidiu à Congregação para a Causa dos Santos (Santa Sé), precisa que “ainda que não tenham sido beatificados ou canonizados”, os que são celebrados nesta solenidade “não são menos santos do que os outros”.

“Nós celebramos a memória dos santos, também os não beatificados nem canonizados. Sabemos que existem muitíssimas pessoas santas que não passaram esse processo”, disse à Agência ECCLESIA, no Vaticano.

O responsável recorda que a Igreja canoniza e beatifica algumas destas pessoas para propor “um modelo de santidade”, que põe no calendário litúrgico para que os fiéis “os conheçam e imitem”.

“Na festa de todos os santos, e sublinho todos, celebramos também todos os que não foram beatificados nem canonizados”, insiste.

Para D. José Saraiva Martins, falar em santidade é recordar uma vocação de todos os católicos, “não é uma coisa extraordinária” nem “privilégio de alguns”.

“Os santos eram pessoas como nós, mas propuseram-se a viver em profundidade, na sua vida comum, ordinária, no exercício da sua profissão, a imitar a Cristo”, precisa.

O cardeal português recusa a ideia de que os católicos canonizados ou beatificados sejam “heróis”.

“É Deus que quer sejamos santos, que imitemos Jesus Cristo a santidade encarnada. Naturalmente há um processo muito rigoroso para saber se aquela pessoa, candidata aos altares, viveu ou não viveu segundo esses princípios”, assinala.

Este processo tem duas fases fundamentais, uma no âmbito da Igreja local e a outra em Roma.

“O papel da comunidade local é fundamental, a convicção dos cristãos da comunidade que aquela pessoa é realmente um santo é uma condição essencial para poder começar um processo de beatificação”, recorda o prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos.

Do trabalho realizado neste campo, o cardeal português sublinha a capacidade de alargar a “geografia da santidade” a todos os continentes.

CR/Ecclesia