13º Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira arrancou hoje no Funchal. Açores registam a maior participação de sempre: de entre as 23 misericórdias, 21 marcam presença nos trabalhos

O bispo do Funchal, D. António Carrilho, alertou hoje, no XIII Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira, que muitas pessoas dependem das misericórdias para viver, e por isso, a sua sustentabilidade económica e financeira é “decisiva”.

Durante a sua intervenção no congresso, subordinado ao tema “Em busca de um futuro melhor” e que reúne 21 Misericórdias dos Açores e cinco da Madeira, o prelado defendeu que “tudo aquilo que é humano deve ser atendido e merecer a atenção sempre que se manifestam necessidades”.

Já o Vigário Geral da Diocese de Angra, em representação do Bispo D. António de Sousa Braga, sublinhou o papel das misericórdias numa “resposta efetiva e concreta” no desenvolvimento de uma “ética do cuidado” em contraposição à “indiferença, ao olhar habituado, preguiçoso que as nossas sociedades hoje oferecem”.

Partindo do novo enquadramento jurídico das misericórdias, na relação com a Igreja e com os poderes públicos, o Cónego Hélder Fonseca Mendes invocou o recente texto da Bula “O Rosto da Misericórdia” para frisar a importância destas instituições para levar a cabo as obras de misericórdia necessárias para ultrapassar “as feridas, a precariedade e o sofrimento do mundo atual”.

“Elas constituem uma resposta clara e um exemplo da ética do cuidado”, salientou ainda o Vigário Geral.

Na sessão de abertura deste congresso estiveram presentes as duas titulares da solidariedade social dos dois governo insulares.

A secretária regional da Solidariedade Social do Governo Regional dos Açores, Andreia Cardoso Costa, revelou que o executivo quer “cuidar de quem cuida” nomeadamente quem desenvolve trabalho “no âmbito da solidariedade social”.

“Estamos numa situação de profunda erosão social que periga, diariamente, as famílias, os contribuintes, as prestações sociais e o garante de um conjunto de condições básicas mas essenciais à vida com dignidade”, alertou, garantindo que o Governo dos Açores “permanece inamovível no seu compromisso de combater as dificuldades e ultrapassar os desafios”.

As Misericórdias e o Poder Local, as Misericórdias e a Banca de Economia Social, as Misericórdias, os Fundos da União Europeia e a sua Sustentabilidade e as Misericórdias – Contabilidade e Auditoria são os painéis de trabalho deste encontro.

O Presidente da União das Misericórdias dos Açores, à margem da sessão de abertura do Congresso, em declarações ao Sítio Igreja Açores destacou a importância deste encontro, sublinhando, justamente as questões da sustentabilidade financeira destas instituições “como um dos dossiês mais importantes” porque os desafios “são cada vez maiores e os recursos financeiros e humanos cada vez mais curtos”.

“Se é certo que temos de ser racionais na gestão, procurando otimizar ao máximo equipamentos e gerindo da melhor forma possível quer as nossas receitas quer os nossos investimentos, para uma melhor resposta, também não é menos verdade que precisamos de desenvolver um sentido de ajuda e de cooperação diferente”, disse Bento Barcelos que é também provedor da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, uma das poucas instituições que ainda possui um banco, no Caso a Caixa Económica da Misericórdia de Angra.

Uma parceria que tem de ser desenvolvida ao nível das instituições de crédito – Banca Social- mas também ao nível dos poderes públicos, refere o responsável.

“A sustentabilidade financeira destas instituições é crucial para continuarem a prosseguir a sua missão mas quando ela exige outro tipo de ajudas tem que haver sensibilidade para as disponibilizar”, adianta Bento Barcelos.

O Presidente da União das Misericórdias dos Açores lembra ainda que as  respostas que foram dadas no passado e continuam a ser dadas são válidas mas “precisamos de projetar o futuro” e o novo quadro de fundos estruturais “pode ser muito importante para a modernização de equipamentos, para a formação e para investimentos que se ajustem mais às novas necessidades dos nossos utentes”, referiu ainda.

Por isso, e sem descurar todos os outros poderes- central e regional-  elege como parceiro privilegiado o poder local.

“É um poder contemporâneo das misericórdias, está próximo das pessoas, conhece bem as suas necessidades e por isso pode ser um aliado estratégico na prossecução da nossa ação”, remata o dirigente açoriano.

Durante o evento, que termina no domingo já com um programa mais vincadamente religioso, com uma Eucaristia ao final da manhã que será cocelebrada pelo Vigário geral da Diocese de Angra, Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional da Madeira apresentará o testemunho “Uma história de vida em prol do bem comum”.