Pe. José Júlio Rocha fala sobre a nova exortação do Papa Francisco “Alegrai-vos e Exultai”

O documento que acaba de ser publicado pelo Papa Francisco- a exortação apostólica “Alegrai-vos e Exultai”- “é intemporal”, convida de forma generalizada à Santidade e, por ser publicado entre dois sínodos- da família e dos jovens- , remete para a ideia de que os verdadeiros santos nascem entre os jovens e na família.

Convidado a analisar a nova exortação do Papa,  pelo programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar no próximo domingo, ao meio dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores, o Pe. José Júlio Rocha lembra que neste documento o Papa Francisco segue uma linha centrada na Alegria desafiando toda a gente à santidade.

“O que o Papa nos diz com este documento é que há um caminho de perfeição para cada um independentemente da sua opção. Não é um convite só aos sacerdotes, aos religiosos, aos consagrados mas a todos sem excepção”, refere o professor de Teologia Moral do Seminário Episcopal de Angra.

“O que importa ressalvar é que aqui não se defende um modelo de santidade desadequado mas é referido que a santidade pode ser atingida por qualquer um” precisa sublinhando que nesta exortação o Papa reafirma que “os santos são de carne e osso e é neste sentido que o Papa Francisco quer marcar a santidade”.

O sacerdote recorda que ao longo da história a igreja viveu sempre com um ideal de santos; hoje vive-se um ideal de santidade fragmentária, sem um modelo único de santidade, mas a ideia principal é de “qualquer um pode ser santo”.

O Papa Francisco publicou esta semana a sua nova exortação apostólica, dedicada à santidade, na qual propõe um modelo cristão de felicidade como alternativa ao consumismo, à pressa e à indiferença face ao outro.

“Se não cultivarmos uma certa austeridade, se não lutarmos contra esta febre que a sociedade de consumo nos impõe para nos vender coisas, acabamos por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e provar”, escreve, no documento intitulado ‘Gaudete et Exsultate’ (Alegrai-vos e exultai).

A exortação começa por  apresentar-se como um “apelo” renovado à santidade como proposta radical de vida.

“O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa”, sublinha Francisco.

A terceira exortação apostólica do pontificado defende a necessidade de travar a “corrida febril” da sociedade contemporânea para recuperar espaço para Deus e tempo para os outros.

“Tudo se enche de palavras, prazeres epidérmicos e rumores a uma velocidade cada vez maior; aqui não reina a alegria, mas a insatisfação de quem não sabe para que vive”, adverte o pontífice, que fala na tentação de “absolutizar o tempo livre”.

O Papa considera que esta fixação no próprio ‘eu’ impede o compromisso na ajuda a “quem está mal.

“O consumismo hedonista pode enganar-nos, porque, na obsessão de divertir-nos, acabamos por estar excessivamente concentrados em nós mesmos, nos nossos direitos e na exacerbação de ter tempo livre para gozar a vida”, insiste.

O texto estende o alerta contra o consumismo à “informação superficial” e às “formas de comunicação rápida e virtual”, que criam um “turbilhão”.

Francisco diz que, nesta sociedade, “volta a ressoar o Evangelho” para oferecer “uma vida diferente, mais saudável e mais feliz”, a santidade.

Esta, explica, não está reservada apenas a algumas pessoas, mas encontra-se “por toda a parte”, nas famílias, no trabalho, naquilo a que o Papa chama como “classe média da santidade”, inclusive “fora da Igreja Católica e em áreas muito diferentes”.

“Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração”

O Papa elogia os “estilos femininos de santidade” que se manifestaram, ao longo da história, em “tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, famílias e comunidades com a força do seu testemunho”

A ‘Gaudete et Exsultate’ recomenda a santidade dos “pequenos gestos”, que impede de falar mal dos outros, olha para o pobre e reserva tempo para a oração.

Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça. No fundo, como dizia León Bloy, na vida “existe apenas uma tristeza: a de não ser santo”

O Papa elenca “grandes manifestações do amor a Deus e ao próximo” que devem contrariar uma cultura marcada pela “ansiedade nervosa e violenta”, “o negativismo e a tristeza” ou o individualismo, rejeitando “tantas formas de falsa espiritualidade sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso atual”.

Francisco convida a “permanecer centrado, firme em Deus” e a evitar a participação em “redes de violência verbal através da internet”.